HISTÓRICO

Um passado de história e tradição

Farol do Calcanhar, o mais alto da América LatinaO primeiro desembarque dos colonizadores portugueses deu-se em 1501, quando a expedição de Gaspar de Lemos chantou um marco colonial na Praia de Morros. Esta pedra, mais conhecida como Marco de Touros, é considerado o monumento mais antigo do Brasil. O segundo desembarque dos portugueses ocorreu no século XVII, quando uma expedição organizada para combater os holandeses comandada por Luiz Barbalho Bezerra, não podendo desembarcar em Recife, aportou na enseada de Touros, deixando para trás vários canhões, três dos quais se encontram hoje no município. No século XVIII, quando os portugueses começaram a se fixar definitivamente, chegou à região a imagem do Bom Jesus dos Navegantes, padroeiro do município, cuja origem é desconhecida, não se sabendo se veio por mar ou por terra, se foi promessa ou doação. A construção de sua capela, hoje matriz do Bom Jesus dos Navegantes foi concluída em 1800. Em 1918, foi construído o primeiro Farol do Calcanhar, reformado em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial é hoje o mais alto da América Latina e marca singular do Litoral Norte do Estado. O imponente farol se destaca pela sua presença arquitetônica. Com seus 62 metros de altura podendo ser visto dos mais longínquos recantos da região, sobretudo a noite quando sua forte luminosidade faz varreduras no mar.

O Marco colonial de Touros
*Nilson Patriota

Marco colonial de Touros de 1501 - Foto: ReproduçãoO mais antigo padrão colonial Português nas Américas é também um dos mais importantes monumentos históricos existentes. O Marco de Touros foi chantado em território potiguar no dia 07 de agosto de 1501, pela expedição portuguesa cujo comandante tanto pode ter sido André Gonçalves quanto Gaspar de Lemos. Nela, na condição de cosmógrafo, viajava o florentino Américo Vespucci. No marco não figuram inscrições ou datas, porém numa das faces de seu terço superior foi esculpido o relevo da cruz da Ordem de Cristo. Logo abaixo vê-se também a representação das armas de D. Manuel, o Venturoso, rei de Portugal. Os padrões coloniais tipificavam o domínio oficial da Coroa portuguesa sobre sua colônias e possessões, e começaram a ser usados, em substituição às tradicionais cruzes de madeira, a partir de 1483, quando o navegante português Diogo Cão efetuou a chantadura do primeiro deles na foz do grande rio Zaire, na África. Segundo o historiador Câmara Cascudo, a Cruz de Cristo significava a autonomia do rei sobre as terras conquistadas para a difusão da fé cristã.

O registro da descoberta do padrão colonial de Touros foi feita pelo historiador pernambucano José de Vasconcelos, no final do século IX, em seu livro intitulado Datas Célebres e Festas Notáveis da História do Brasil. Em 7de agosto de 1928, os historiadores Luís da Câmara Cascudo e Nestor dos Santos Lima, representando o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, visitaram o secular Marco de Touros na praia aonde o mesmo foi chantado pela Expedição manuelina de 1501, quando então tomaram-lhes as medidas e dele fizeram uma completa descrição.

Em janeiro de 1972 uma viagem de inspeção foi realizada pelo representante do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Norte, Oswaldo de Souza, à praia dos Marcos, assim denominada por ali ter sido chantados o Marco de Touros e seus dois tenentes ou testemunhas, como era de costume.

Tombado e reconhecido como Monumento Nacional, uma série de gestões foram feitas junto à população daquela praia para que consentisse em sua transferência para Natal. Tempos depois, foi o mesmo conduzido para Natal, onde atualmente se encontra na Fortaleza dos Reis Magos - o lugar menos indicado para sua conservação - de onde um dia voltará, certamente, ao sítio primitivo, como manda o bom censo, desde que sejam criadas as indispensáveis condições de segurança e acessibilidade ao monumento.

*Nilson Patriota é membro da Academia Norte-rio-grandense
de Letras e presidente do Conselho de Cultura do Estado


 

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