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 PONTO DE VISTA
Uma Natal que o vento levou...

Por: Roberto Patriota // 14/02/2002
roberto.patriota@hotmail.com

Em conversa com o amigo Gustavo Fonseca, veio-me à tona a Natal da nossa infância e juventude, realizamos então uma verdadeira viagem no tempo através da memória. Revivemos Natal das décadas de setenta e oitenta. A cidade pousava de Rio de Janeiro diminuto, mas ainda com ares de cidade provinciana, metida à pré-metrópole. Foi na década de setenta o início dos hot-dogs, vendidos no Kyxou. Gustavo lembrou que nas portas dos clubes, como Casa da Música, as carrocinhas vendiam Big-Dog, Ki-Dog, Xis-Dog entre outros lanches americanizados. Cachorro quente de carne que se prezava era vendido por "Pelé", durante a semana ficava em Lagoa Nova, perto do Feijão Verde e do Bar do Tetéu, aonde hoje existe o shopping Midway. O Feijão Verde era ponto obrigatório dos fins de farras quando de madrugada a juventude natalense de então saboreava os famosos caldos revigorantes, um tipo mata ressaca. Como não lembrar do colégio Marista da minha adolescência, das tardes amenas do futsal no Maristão, do Espiribol embaixo das mangueiras, dos Jerns, dos tantos amigos, professores e diretores. Tempo suave e inesquecível para todos, acredito.

Saindo da infância para a adolescência na primeira metade da década de setenta, lembro-me bem dos famosos sapatos “Cavalo de Aço”, quem não tinha um não podia fazer parte da “turma”. Também naquela época o jeans que se prezasse tinha que ser Lee ou Levis legítimos, vindo dos Estados Unidos em tamanhos grandes, eram quase sempre reformados pelos alfaiates de plantão que existiam aos montes em toda parte da cidade. Os jeans mais estilosos tinham que ter “nesga” e ser boca de sino, assim mandava a moda. Naqueles tempos os refrigerantes mais populares eram: Coca-Cola, Crush, Grapette e Guaraná Dore ou Champagne. No final da década de 70 era no Galo Vermelho que “a turma” da época comprava frango assado, para tira-gosto como: Rum Montilla, cerveja, whisky, Drink Dreher, Martine entre outras tantas bebidas. Foi no apagar das luzes da década de 70, acho que em meados de 78, que conheci uma garota bela e exótica, diferente de todas as outras que já havia conhecido. Verônica tinha uma beleza angelical, era inteligente, dona de um fascínio puro e especial. O tempo e suas artimanhas, que tudo conspira, se encarregou de escondê-la de mim. 

Ainda nos anos 70, nos bares e restaurantes, os mais quietos bebiam água mineral Santos Reis, em garrafinhas de vidro, com ou sem gás. Quem viveu aqueles anos certamente vai se lembrar dos sorvetes Maguary, Big Milk e Chapinha, únicas marcas comercializadas na então pacata cidade. Fora isso, sobravam o din-din e poli que eram feitos geralmente pelas empregadas domésticas com o consentimento das patroas nas casas de família, uma forma de aquecer o orçamento das auxiliares do lar. Que fim levaram as grandes empresas daqueles tempos: Casas Rio, Lojas Seta, Casa Régio, A Sertaneja, de Radir Pereira que chegou a ter quase cinquenta lojas em todo o Estado, Socil, Faramácia Dutra, Casa Vesúvio, O Grande Ponto, Natal Clube, Cinema Rex e Nordeste, Cine Rio Grande, Ciprofar e tantas outras afamadas empresas da época?

No fim da tarde, a juventude da época corria para o Kyxou, para tomar sundae, milk-shake ou um hot-dog. Lá se encontravam as moças e os rapazes da sociedade que assistiam, aos desfiles de moda e dos carrões equipados (Fuscão, Maverick, Opala, Dodge Dart, Karmann-ghia, Puma GTB) os mais equipados eram rebaixados, e ouviam músicas ao som dos toca-fitas Rodstar cara preta ou Clarion de última geração. Até então Natal era uma cidade calma, quase sem drogas ou violência urbana, problemas tão comuns, hoje em dia. O ponto alto dos mais ricos era o restaurante Xique-xique, local em que a alta sociedade freqüentava e aonde se comia pratos da culinária internacional.

Quando a opção era casa noturna, nenhuma superava a de Maria Barros, ou "Maria Boa", como era conhecida. O cabaré funcionou por mais de cinquenta anos na rua Padre Pinto, no centro da cidade. Quando criança o quintal da casa dos meus pais dava para a entrada do cabaré de Maria Boa. Costumava ficar com amigos durante horas em cima do muro observando quem entrava ou saia de lá, era um dos passa tempo prediletos das crianças do bairro. Muitas personalidades da época eram freqüentadores assíduos do cabaré. Entre eles políticos, advogados, empresários, e até religiosos tinham sua entrada secreta em Maria Boa. Morando perto e conhecendo o porteiro José, eu juntamente com os amigos ficávamos informados sobre todos os nomes ilustres que durante a noite ou madrugada esticavam um "serão" junto as mais belas meninas de "vida fácil" da cidade. Maria Boa despertava um fascínio em todos. Muitos adolescentes da época rasuravam a carteira de identidade acrescentando 18 anos só para poder entrar e conhecer o afamado cabaré e se deleitar com as afamadas meninas.

Naqueles tempos também existiam os pegas que, na maioria das vezes, eram feitos em Capim Macio, não existia ainda a Av. Engenheiro Roberto Freira e sim uma pista única que dava acesso a então distante Ponta Negra. Depois dos "pegas" a reunião era no bar Teco-Teco, ponto de encontro da juventude transviada, localizado em Capim Macio. Gasolina azul era um luxo para os mais ricos, era vendido nos Postos Pitombeira, Jotâ Flor, Tamarineira e Miguel Barra. Segundo se falava, a gasolina azul deixava os carros mais velozes.

Ouvia-se boa música e um rock ainda engatinhando. As radiolas Hi-Fi, Telefunker e Phillips tocavam freneticamente LP's e compactos de Roberto Carlos, Pholhas, Secos & Molhados, Jerry Adriani, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Wanderléa, Martinha, Celi Campelo, Nelson Gonçalves, Beatles, The Fevers, Renato e seus Blue Caps, Lenon & Lilian entre outros. Também se ouvia no rádio, às 18 hs, Jerônimo, o Herói do Sertão, o eterno noivo de Aninha, que, ajudado pelo fiel moleque Saci, fazia qualquer valente tremer nas bases. Era criança mas lembro-me bem.

Nos sábados a tarde, quem ficava em casa assistia os programas de auditório do Chacrinha. Quem quer bacalhau? À noite, as meninas assistiam na televisão a novela "O Bem Amado" de Dias Gomes, na Rede Globo. A TV Tupi por esses tempos já mostrava falta de fôlego, mais ainda era líder de audiência em todo o país e explodia com a revolucionária novela "Beto Rokfeler" . O jovem que saia de casa tinha endereço certo: Praia dos Artistas, point da paquera e do “quem me quer” de Natal das décadas 70/80. Por aqueles tempos existiam as barracas a beira mar, dezenas delas localizadas do pé da Ladeira do Sol até o famoso Hotel Reis Magos, mas nenhuma barraca superava a da Marlene, a que tinha a cerveja mais gelada e o melhor peixe frito. Banheiro público? Nem sonhar. Tínhamos que se virar a beira mar.

Em outubro de 1970 foi inaugurada a "Casa de Hóspedes de Ponta Negra", contava com apenas 14 apartamentos. Ainda criança fui conhecer a pousada junto com minha irmã mais velha e seu namorado. Se não me falha a memória em 1971 foi inaugurado o Balneário do Sesc, de Ponta Negra, que logo se tornou o local preferido para o banho de mar da juventude natalenses de então. Depois dessa fese começou a expansão urbana de Ponta Negra, com a construção dos primeiros conjuntos residenciais. Esse período acabou por transformar Ponta Negra, antes longínqua praia, que terminou por se incorporou de vez a cidade.

A profusão de conjuntos de rock em Natal era crescente, lembro-me do The Jetsons, Impacto Cinco, Os Terríveis e Apaches. Estava aumentando o número de hippies, darks e punks, que, antes dispersos, passam a agrupar-se na Praça Padre João Maria ou na Praia do Meio, em frente ao Salva-Vidas da Praia dos Artistas. Durante o carnaval o chique era brincar nos blocos de elite, nada de ir para as praias como se faz hoje. Os blocos de elite eram muitos: Akonxego, Os Kafajestes, Jardim da Infância, Puxa-saco, Bakulejo, Saca-Rolha, Elite, Ressaca entre muitos outros. Esses blocos como o próprio nome já diz representavam a elite do carnaval natalense de então.

Durante o dia os blocos organizavam os chamados “assaltos” com banhos de piscina e muita bebida e comida em casas de membros do bloco previamente agendado. Quem conseguia sobreviver a programação diurna, durante a noite o encontro dos blocos era na sede do América, local aonde se brincava o melhor carnaval de clube de Natal. Lembro-me que em 1981 o América se encontrava tão lotado que faltava espaço para se sentar até mesmo no chão dos corredores. Alguns foliões iam descansar nos banheiros ou nas calçadas fora do clube. Com o trágico acidente do Baldo em 1984, envolvendo um neto do senador Dinarte Mariz e dezena de foliões de um conhecido bloco, esse tipo de carnaval desapareceu da noite para o dia.

Principalmente até a década de setenta Liam-se muitos gibis em Natal. Jornais, revistas e gibis tinha um endereço certo: Cigarreira Tio Patinhas no centro da cidade. Bolinha, Luluzinha, Capitão Marvel, Tarzan, Jim das Selvas, Pato Donald, Tio Patinhas, Batman, Zorro e outros. As revistas mais lidas eram: O Cruzeiro, Manchete e A Cigarra. Assistíamos na TV programas como: A Praça da Alegria, J. Silvestre, Família Trapo, Flávio Cavalcante, Cosmos entre outros.

Nos cinemas Rex, São Luiz e São Pedro, domingo pela manhã, era onde se assistia os seriados de Zorro, Rin-tin-tim, Roy-Rogers e degustava-se torrones, das balas gasosas e dos Drops Dulcora, de cevada, anis e coca, sem esquecer dos Toffees Déa, muito populares . Os filmes em Tecnicolor era o que existia de mais moderno, e assistimos filmes como: Mobby Dick, Os que Sabem Morrer, Tubarão, Love Story e outros, no Rio Grande, Rex ou Nordeste, o cine Poty em Petrópolis, o Polytheama na Ribeira já estavam desativados. Nos domingos à noite, a partir das 19:30h, a programação jovem era ir para o ABC, animado ao som do Impacto Cinco. As bebidas pedidas eram cuba libre e hi-fi, mais consumidas do que as cervejas, estas em casco escuro ou claro. A cerveja em casco escuro já era mais apreciada do que a de casco claro, falavam que tinha melhor sabor.

As noites eram tocadas pelo Hippie Drive-in, Piri-Piri e Girassol. Existia o bar Barreirinha, outro ponto de encontro da juventude. Tinha também o bar “Escondidinho”. O acesso a Ponta Negra era pela antiga estrada, construída pelos americanos, até a altura do Posto Planalto. Daí, prosseguia-se pelo calçamento. Em Petrópolis, freqüentava-se a Confeitaria Atheneu, o Gramil e o Kazarão. Na Praia do Meio uma das opções era O Jangadeiro, depois da boate do Hotel Reis Magos. Também tinham o aeroclube e o América, onde se saboreava as refeições mais sofisticadas com a mesma naturalidade que se tomava um caldo de feijão na Tenda do Cigano ou no Feijão Verde.

No Tirol, o Stop marcou época e era freqüentado por uma porção de jovens, vindos do bairro e adjacências, que nos dias em que na AABB ou no América tinha baile (não show) fazia a alegria dos garçons. Depois da festa ou arrastão (época de São João), lanchava-se lá pelas 3 da madrugada no Dia-e-Noite, lanchonete com bastante movimento, localizada no centro da cidade. Posteriormente, apareceu o Passaporte Lanches, de Peninha, na Praça Pedro Velho. Falamos, Gustavo e eu, de uma Natal de ontem, de uma cidade diferente da Natal de hoje, de uma cidade que só existe na memória de cada um que viveu esse período e aproveitou o que a cidade tinha de melhor para oferecer. Essa Natal dos anos 70/80 bucólica e agradável, o vento levou...

* Roberto Patriota é jornalista profissional, com graduação em Gestão Imobiliária
e pós-graduação em Gestão de Negócios pela Universidade Luterana do Brasil - ULBRA

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E assim nasceu a Ordem Praieira...

Jornalista Roberto Patriota, entrega chápeu e diploma de Embaixador de Touros no RJ, a Sebastião Maria dos Santos sob aplausos do então prefeito Josemar FrançaPor: Roberto Patriota // 22/08/2001
roberto.patriota@hotmail.com


Se não me falha a memória, foi em setembro de 1996, eu me encontrava no Rio de Janeiro juntamente com Josemar França, então candidato a prefeito de Touros. Mal chegamos em solo carioca e já de pronto fomos regiamente recepcionados pelo querido Sebastião Maria dos Santos, o nosso "Tião". Foi uma supressa, não sei como, mas Tião foi informado da nossa viagem ao Rio, e como de costume, lá estava ele recepcionando como ninguém seus conterrâneos.

Depois de toda sua tradicional amabilidade e gentilezas, colocou seu motorista a nossa disposição. Dias depois nos recepcionou com lauto churrasco em restaurante próximo a sua residência, em Jardim América. O que seria um simples almoço se transformou na verdade em uma grande festa de confraternização. Muitas figuras da sua intimidade começaram a chegar, pessoas simples, altos comerciantes e alguns políticos de quem se tornou amigo.

Dentro de poucas horas o almoço tinha se transformado numa grande festa. Josemar, como é de praxe, abriu a seção de discursos em saudação ao nosso anfitrião. Muitas pessoas também falaram. Quando chegou a minha vez, me passou um curto filme na mente e me lembrei que desde criança ouvia falar das gentilezas de Tião, atendendo, auxiliando e resolvendo problemas dos seus muitos conterrâneos que foram tentar a sorte no Sudeste do país. Lembrei-me da amizade de Tião com meu pai e familiares, sua gentileza a me ligar constantemente do Rio em busca de notícias da sua terra querida. Chamava-me gentilmente de "caçador de notícias". Não me restou outra alternativa a não ser me dirigir a ele como "Embaixador de Touros no Rio de Janeiro", e assim fiz.

Tião não deixou por menos, quando teve a oportunidade de agradecer as muitas palavras proferidas a seu respeito, se dirigiu a mim e cobrou o diploma de Embaixador. Não tive outra alternativa senão fundar juntamente com amigos, a Ordem Praieira do Rio Grande do Norte, e meses depois, em janeiro de 1997, entregar a Tião, o seu justo Diploma de "Embaixador de Touros no Rio de Janeiro", em solenidade de grandes proporções realizada no restaurante O Castelo, em Touros. E assim nasceu a Ordem Praieira.

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O jornalismo impresso e a internet 

Por: Roberto Patriota // 11/03/2011
roberto.patriota@hotmail.com

Que jornalismo impresso global está em baixa e procura um novo modelo de negócios não é novidade, mas quando o editorial do New York Times anuncia um prejuízo trimestral de US$ 998,8 milhões é hora de levar o assunto muito a sério. Os números publicados ano passado não refletem só a má situação do tradicional jornal americano, mas também de dois outros títulos adquiridos pelo grupo, o Boston Globe e o Worchester Telegram & Gazette, cujos valores caíram 72%. Um grande susto para o mercado. A queda nos ativos forçaram a empresa que edita o Times a assumir uma perda extraordinária de US$ 894,4 milhões. A notícia foi recebida como uma autêntica tragédia no ramo, que lembra hoje com nostalgia os momentos de glória do passado.

A culpa, como todos sabem, é da incapacidade dos jornais impressos de fazer frente ao vigoroso crescimento da internet e reverter à queda nas receitas publicitárias de suas edições. O cenário pressiona as empresas, que acabam cortando grande parte de suas equipes. Essa queda livre retrata, segundo Scott Bosley, diretor-executivo da Sociedade Americana de Editores de Jornais, a dolorosa transição atravessada pela imprensa tradicional tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo.

Ele reconhece que a tendência começou há um bom tempo, mas aponta como novidade a velocidade dos avanços recentes da Internet que oferecem alta tecnologia com som e imagem em banda larga, além da atualização constante das noticias através de milhares de sites e blogs. A Associação de Jornais dos Estados Unidos lançou em abril passado uma campanha publicitária de US$ 75 milhões para declarar sua relevância na era da internet. O objetivo é dizer aos anunciantes que o setor não está obsoleto.

No entanto, além do Times, outros grupos editoriais, como o McClatchy, também têm visto uma queda no valor de seus jornais. A empresa anunciou que vendeu seu principal título, o Star Tribune de Minneapolis, por US$ 530 milhões, a metade do que pagou na sua compra. Outros dados, como os cortes de pessoal na imprensa que aumentaram 88% em 2006, também são reveladores. O número, revelado pela empresa de consultoria Challenger Gray & Christmas, reflete os 17.809 postos de trabalho perdidos em 2007, quase o dobro dos 9.453 de 2006.

A mudança radical na forma como as pessoas obtêm e lêem as notícias, procuram empregos, automóveis usados e produtos de consumo são as principais causas. O público jovem não compra mais jornais e se viram como podem com a abundancia de informações da web. Alguns empresários do setor acreditam que os ajustes continuarão enquanto durar a transição do mundo impresso para o eletrônico. "Os jornais impressos estão com os dias contados, todo o setor sabe disso", disparou McClatchy ano passado.

Até os jornais descobrirem uma fórmula para ganhar tanto dinheiro com suas edições digitais quanto perderam com as impressas, vai ser uma batalha sem nenhuma garantia. O diretor do Los Angeles Times, um dos jornais de maior tiragem dos EUA também se declarou assustado com o avanço digital em recente entrevista.

O executivo pediu a seus repórteres que passem a ver a edição digital do Los Angeles Times como o principal veículo da empresa e comunicou que todos terão que participar de um curso obrigatório, "Internet 101", para aprender a produzir conteúdo para a web. Além disso, o jornal ganhou um "editor de inovação", responsável por nada menos que fazer a redação trabalhar 24 horas por dia, publicando material exclusivo o tempo todo por meio da internet.

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O país do faz de conta

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Nos anos oitenta, precisamente em 1983, esteve de visita ao Brasil a então secretária do FMI, Ana Maria Jul , chegou em período carnavalesco. Entre um compromisso e outro sobrou tempo para assistir aos desfiles das escolas de samba no Rio. Ficou confusa e maravilhada com o que viu. Ao final, indagada por um repórter sobre o que estava achando do nosso país, saiu-se com essa: "É o país do faz de conta, nada aqui é real". Na entrevista concedida ao "Jornal Nacional", o presidente Lula lembrou em muito essa alegoria de país irreal imaginado pela então secretária do FMI". Se esquivou o mais que pôde ao falar dos companheiros flagrados com a boca na botija do mensalão, que como bem lembrou o apresentador William Bonner formaram uma "verdadeira quadrilha", conforme palavras do procurador geral da República Antonio Fernando de Souza. O presidente fez aquilo que só lhe é possível fazer para confessar parte do erro: que todos os acusados foram afastados e que o Ministério Público, assim com a Polícia Federal, jamais trabalhou tanto e com tanta isenção em seu governo.

Desta afirmativa, apenas a segunda parte é verdadeira. No que se refere aos seus ex-ministros José Dirceu e Antonio Palocci, relutou o mais que pôde e só os demitiu quando teve duas certezas: se não os tirasse, o seu desgaste aumentaria bastante; já no caso do ex-ministro todo poderoso da Fazenda, foi assim que percebeu que a comunidade internacional notara que a política econômica não mudaria, pois pertencia ao governo, não a Palocci.

Em relação ao restante da quadrilha, Lula continua sem dar uma resposta convincente. Sobre quem o teria traído, o nome permanece um dos mais bem guardados segredos da República. A respeito de sua conexão com envolvidos, não reconhece e continua negando absurdamente, o que torna os seus comparsas figuras misteriosamente desprendidas, capaz de tirar do próprio bolso quase R$ 30 mil para resgatar uma promissória cujo signatário não tem a menor idéia do que seja.

Lula continua certo de que confiar nas pessoas faz bem à alma e ao coração. Tanto que não se arrependeu de ter se cercado de figuras contra as quais hoje pesam gravíssimas acusações. Pelo visto, num eventual segundo mandato, manterá seu processo de escolha, por pior que se revele depois. Lula é um amigo desses que se pode contar a todo momento: permite que o traiam, que o prejudiquem, que dêem munição para uma oposição ávida em torpedeá-lo, para, quando os erros são trazidos à tona, aí sim tomar as devidas providências e afastar os infratores. Desprendimento igual se conhece apenas o de Jesus Cristo, que permitiu a Judas Iscariotes participar da última ceia e reconhecer em voz alta: "Um de vós me trairá".

Se antes, nos tempos de oposição, Lula pedia punições aos borbotões (e foi lembrado disto por Bonner, que ainda ouviu uma resposta atravessada) e falava de segurança como a coisa mais simples do mundo, agora o discurso está geograficamente mudado e ensaiado. Disse a quilometragem da fronteira seca e da costa brasileira e alegou que nem se a PF tivesse milhares de agentes a vigiá-las seria possível acabar com o tráfico de drogas e armas, praticamente concordando com o chefe do PCC, Marcola, não existe solução para o problema da violência no Brasil. Em miúdos: é uma questão de dimensão, não de esforço para conter o flagelo. Também, quem mandou o Brasil ser gigantesco? Se fosse do tamanho da Bélgica, seria mais tranqüilo.

No mesmo dia, a pesquisa do Ibope dava a reeleição do presidente no primeiro turno, com queda de seu principal adversário, Geraldo Alckmin. Que o cidadão rechaça a volta de pefelistas e tucanos ao comando do País. Mas que também não tem conseguido enxergar que pouco ou nada vai se alterar num segundo mandato de Lula, esta é também uma realidade nua, feia e crua. Ou seja, para Lula tudo vai bem, ele nada sabe, nada viu, e nada vai alterar agora. Também pudera, vive no país do faz de conta.

PONTO DE VISTA
O Gestor Imobiliário diante do Direito

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Nos dias de hoje o Direito Imobiliário ganhou ares de especialidade jurídica. Não basta mais ao Gestor Imobiliário possuir apenas conhecimentos primários desse Direito para solucionar com segurança as questões cada vez mais complicadas que surgem na vida prática do dia a dia da profissão. Com um número cada vez maior de legislação, o conhecimento do Direito Imobiliário se faz necessário ao profissional de imóveis e não mais só ao advogado como há um par de décadas.

No passado talvez fosse possível trabalhar sem tais conhecimentos. Mas hoje vivemos o mundo globalizado da internet aonde precisamos acompanhar estas transformações, que vem sempre a reboque da sociedade. Assim também era com a antiga Lei dos Condomínios, que vinha sendo regida no mesmo diploma legal das incorporações e que agora com a reforma do Código Civil Brasileiro passou a ser regida em capítulo próprio, a despeito de sua regulação total ou em conjunto com a Lei anterior.

A complexidade é tão grande, que já surge o denominado Direito Urbanístico, um desdobramento do Direito Administrativo, abarcando conceitos públicos e privados em seu conjunto. O antigo corretor de imóveis do passado jamais poderia imaginar que um dia fosse preciso se debruçar sobre tantas Leis e artigos. Fico imaginando tais colocações sendo feitas há alguns anos, quando em praias como a de Touros o valor dos imóveis pouco importava nas negociações, nem muito menos a real legalização do imóvel.

Ao atuar na compra e venda de imóveis em suas variadas vertentes o Gestor Imobiliário precisa estar em sintonia direta com o Direito das coisas, e para isso é imprescindível voltar a sala de aula, se reciclar de verdade. Assim como o mundo, os clientes do antigo corretor de imóveis mudou por completo. O atual Gestor Imobiliário se depara quase diariamente com "gringos", estrangeiros de diversas nacionalidades que chegam ao nosso Estado e Litoral Norte surpreendentemente muito bem informados, dando normalmente banho de conhecimento em muitos profissionais da área. Há algum tempo tenho ouvido do tabelião de Touros, Carlos Rogério o anuncio premonitório dessas mudanças e realidade que hoje vivemos. Na qualidade de profissional de Direito, ele pressentiu antes que muitos todas essas transformações que agora vivenciamos a despeito do mercado imobiliário.

Cientes de que o Direito também faz, e como faz, parte da negociação de imóveis, o perfil dos novos profissionais da área deve sofrer profunda transformação em muito pouco tempo. Melhor para o consumidor que vai adquirir seu bem imóvel com muito mais confiança e segurança. Já era tempo de uma mudança nas regras do jogo. Acredito que num futuro próximo o profissional de imóveis vai conseguir apagar por completo o sentimento de desconfiança ainda existente quando se fala na profissão.

*Roberto Patriota é jornalista e Gestor
Imobiliário pela Universidade Luterana do Brasil

PONTO DE VISTA
O padre Antônio Vieira e a corrupção brasileira

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Ontem estava folheando a obra do grande Padre Antônio Vieira, figura maior do período colonial brasileiro, detentor da verve e pena mais brilhantes de sua época, quando me deparo com mais uma notícia sobre corrupção política na TV. Fato que por sinal virou rotina em nosso dia a dia. Rotina essa que não vem de hoje, mas de muito antes, na verdade começou com o descobrimento do Brasil, importado de Portugal como foi. Só para reavivar a nossa memória, destaco abaixo, trecho do célebre "Sermão do Bom Ladrão", proferido pelo Padre Antônio Vieira na Capela da Misericórdia de Lisboa em 1655. Neste trecho do sermão dedicado ao Brasil, podemos perceber que a corrupção já campeava por aqui, livre e solta. Do século XVI até aqui quase nada mudou no que se refere ao tocante. O Brasil continua fiel as suas origens, tão atual como no século XVI, pelo menos nas artes de furtar e enganar. Vejamos:

"Este sermão, que hoje se prega na Misericórdia de Lisboa, e não se prega na Capela Real, parecia-me a mim que lá se havia de pregar, e não aqui. Daquela pauta havia de ser, e não desta. (...) Tanto que lá chegam, começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o mero e misto império, todo ele aplicam despoticamente às execuções da rapina. Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quanto lhes mandam, e, para que mandem todos, os que não mandam não são aceitos. Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem e, gabando as coisas desejadas aos donos delas, por cortesia, sem vontade, as fazem suas.

(...) porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse.

Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o daqueles que manejam muito, e basta só que ajuntem a sua graça, para serem quando menos meeiros na ganância. Furtam pelo modo potencial, porque, sem pretexto nem cerimônia, usam de potência. Furtam pelo modo permissivo, porque permitem que outros furtem, e estes compram as permissões. Furtam pelo modo infinitivo, porque não tem o fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes em que se vão continuando os furtos. Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas, porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados, e as terceiras quantas para isso têm indústria e consciência.

Furtam juntamente por todos os tempos, porque do presente — que é o seu tempo — colhem quanto dá de si o triênio; e para incluírem no presente o pretérito e futuro, do pretérito desenterram crimes, de que vendem os perdões, e dívidas esquecidas, de que se pagam inteiramente, e do futuro empenham as rendas e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhes vem a cair nas mãos. Finalmente, nos mesmos tempos, não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plus quam perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma, que o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz ativa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tiveram feito grandes serviços, tornam carregados de despojos e ricos, e elas ficam roubadas e consumidas".

PONTO DE VISTA
Preservando a nossa memória regional

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Quando adolescente, no final da década de setenta trabalhei no velho e tradicional jornal "A República", fundado por Pedro Velho de Albuquerque Maranhão em 1889. Em A República permaneci durante quase toda a década de oitenta e desenvolvi ali diversas atividades jornalísticas. Iniciando minhas atividades como chargista diário do jornal, fui também revisor, diagramador, montador, repórter, redator... Foi uma grande escola, não só para mim, mas para muitas gerações que nas suas redações praticaram um jornalismo romântico e apaixonante que não existe mais. No intervalo do trabalho e quase sempre na companhia do amigo Júlio Rosado Filho, costumava visitar o velho arquivo do jornal. Lá encontrei matérias e reportagens incríveis. Naquela época boa parte das velhas encadernações contendo quase cem anos da vida sócio econômica e cultural do Estado ainda estavam em estado de conservação, por assim dizer, razoável.

Foi numa dessas encadernações que encontrei uma reportagem datada de julho de 1929 dando conta da inauguração da ponte de cimento armado que ligou a praia de Touros a cidade. Obra do então governador Juvenal Lamartine de Faria. A reportagem citava nomes da época e contava sobre a grande festa que se deu pela ocasião do evento. A partir daí, passei a ser cliente cativo do velho arquivo de A República, por perceber da sua grande importância para a memória da cidade/Estado, e principalmente para a educação do Rio Grande do Norte. Durante anos fui incentivador da digitalização do velho acervo como forma de preservação da memória do RN. O velho jornal A República se ocupou em contar quase cem anos do cotidiano do Rio Grande do Norte, seria um crime perder esse valioso tesouro cultural.

No arquivo de A República trabalhou uma jovem tourense que anos depois se transformaria numa brilhante professora universitária e também talentosa escritora. Refiro-me a professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte - UERN, Maria Antônia Teixeira da Costa. Com Maria Antônia travei diversas conversas sobre os veraneios de Touros dos anos setenta e oitenta. Acredito que também ela, se aventurou a viajar pelas páginas mágicas do arquivo, a pesquisar os inúmeros fatos e acontecimentos narrados naquelas páginas amarelas e mofadas, por gerações de bons jornalistas do passado.

Quando em 1988 juntamente com primos e amigos fundamos a Folha de Touros, intitulada Folha do Mato Grande a partir de 1992, pensei logo na preservação do seu acervo. Todas as edições do jornal foram encadernadas e portanto preservadas para a posteridade. Por perceber que sem a preservação da memória não existe um povo, uma cultura, uma história a ser contada e revelada, cuidei dessa primeira etapa. "É observando o passado que se enxerga o futuro", anotava o sábio tribuno Dário de Almeida Magalhães.

Com o evento da internet e a sua incrível expansão a partir dos anos noventa, iniciamos nossa incursão pela web através do site da Folha do Mato Grande. Vi também na internet um canal maravilhoso para o arquivamento da memória e conseqüentemente da história regional do Mato Grande. Por incentivo de amigos criamos o Arquivo Vivo, canal que vem crescendo de forma gradual e também revelando valores da terra ao resgatar a memória das comunidades em busca da sua história e do seu passado. O arquivo ainda considerado pequeno, tende a se expandir continentalmente através dessa maravilhosa ferramenta que é a internet. Esperamos contar mais ainda com a colaboração das comunidades para enriquecer cada vez mais este importante espaço da memória da nossa região.

PONTO DE VISTA
Uma bolsa de manipulação das massas

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

O programa Bolsa Família permitiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser "aclamado como o líder mais bem avaliado da mais recente democracia brasileira" e foi a sua arma para afastar as más notícias quando das eleições presidenciais em 2010. Segundo matéria publicada pelo diário espanhol "El País". O jornal espanhol na recente entrevista faz um alerta sobre o imenso e perigoso poder de "controle das massas populares", exercido pelo presidente Lula através do programa "Bolsa Família". Uma pesquisa nacional realizada pelo Datafolha em 2009 já revelava que entre um emprego e a renda do Bolsa Família, 76,8% dos brasileiros optaram pela pensão do programa do presidente Lula. Emprego já não é tão importante para a atual geração de brasileiros viciados no dinheiro fácil do governo.

Só mesmo um cego que não quer enxergar não consegue ver o tenebroso plano do presidente Lula por traz desse programa popular. Criado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, o Bolsa Família foi tomando ares de manipulação das massas populares no governo petista. Movido pela incapacidade de gerar emprego e renda para a população brasileira, o presidente Lula logo viu que seria mais fácil e, também politicamente proveitoso manter a grande maioria do povo brasileiro sobre as curtas rédeas de uma esmola conveniente e viciosa. Hoje mais de 15 milhões de famílias brasileiras praticamente vivem da renda mensal deste programa improdutivo. O programa atinge cerca de 40 milhões de brasileiros. Fácil para Lula alardear que a fome fala mais alto, realmente, isso também é verdade, principalmente quando essa fome popular é conveniente politicamente e rende votos garantidos desse imenso e crescente eleitorado não pensante.

Não pretendo afirmar que o Bolsa Família seja um programa totalmente má, longe disso. Ele já foi utilizado no país em diversos períodos da nossa história, com outros nomes. O ex-presidente Getulio Vargas por exemplo, na década de cinquenta usou programa semelhante como o nome "Ajuda teu irmão", a finalidade era a mesma da esmola e manipular as massas. Em países do terceiro mundo os governantes preferem dar esmola que oportunidade de trabalho e educação ao cidadão. Dando oportunidade de trabalho, o governo não vai ter o cidadão sob seus pés, sob sua tutela. Com o Bolsa Família os eleitores do presidente Lula vão eternamente beijar as suas mãos e agradecer pela "grande ajuda" que na verdade é paga com o dinheiro do contribuinte brasileiro que produz, ou seja, com o nosso dinheiro. Mas Lula é assim mesmo, faz a festa com o nosso suor em benefício eleitoral próprio. Faz a farra e esquece de nos convidar. O Bolsa Família é um grande programa social, grande mesmo, é a maior maquina de manipulação das massas já criado no Brasil. Viva Lula.

PONTO DE VISTA
Mercadante, um líder de araque

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Nas últimas duas semanas, devido a compromissos extra-jornalismo tenho deixado este espaço aberto a terceiros e seus artigos. Hoje você leitor dessa coluna vai ficar com a inteligência de Guilherme Fiuza que aborda neste espaço uma verdade transparente do cenário nacional. A crise do senado pode não ser a crise do presidente Lula, nem muito menos a crise do próprio PT, ou do senador José Sarney como você poderá verificar a seguir:

"Há um grande mal-entendido nesse episódio da renúncia à renúncia de Aloizio Mercadante. O líder do PT no Senado não deve ser criticado da forma como está sendo. Não há problema algum em Mercadante fazer o que fez – anunciar que entregaria a liderança em caráter irrevogável, e depois continuar no posto. Estão fazendo tempestade em copo d’água. A tempestade é Lula. O copo d’água é Mercadante.

Na condição de copo d’água, o senador petista pode fazer o que quiser. Pode ficar de pé, pode entornar, pode se espatifar, pode ser oferecido com açúcar ou adoçante, tanto faz. O que importa a rebeldia de Mercadante contra o rolo compressor pró-Sarney? O que importa sua orientação a seus supostos liderados? Quem se importa com suas acrobacias verbais para afagar Collor sem deixar de ser o anti-Collor?

Aloizio Mercadante está nas manchetes por engano. Quem renuncia ou deixa de renunciar a um poder que não tem não é notícia. Mercadante não é líder de nada. O líder é Lula. E o PT não está em crise. Em crise estão os que atribuíram ao partido o idealismo que Mercadante finge que defende.

Até José Dirceu, o proscrito, é mais líder que Mercadante. Manchete seria se Lula parasse de receber Dirceu na penumbra de seu gabinete. Ele continua lá, zumbindo no ouvido do presidente seus planos magistrais, como a invenção de Dilma Rousseff, a transformação do pré-sal no novo Eldorado, o pacto de sangue com Sarney e Collor contra a mídia burguesa.

Não chateiem o pobre Mercadante. Deixem-no viver em paz sua fantasia de dilemas morais. Se ele dorme do contra e acorda a favor, francamente, não faz a menor diferença. Há muito que ele já poderia ter se transformado num verdadeiro líder do PT e dos petistas, isso nunca aconteceu nem acontecerá. Mercadante é um homem limitado, sem maiores qualidades a não ser um bom subserviente".

PONTO DE VISTA
Três meninos inocentes

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Mais uma vez abro o espaço para a polêmica nacional do momento. A história de três meninos inocentes: Lula, Collor e Sarney você leitor, fica com o inteligente artigo da jornalista Eliane Cantanhêde, que aborda o tema com maestria. Confira a seguir: Lula, que detestava Collor, que odiava Sarney, que apanhou feito condenado de Lula e Collor. Candidato, Collor foi implacável, até cruel, contra o então presidente Sarney. Na oposição, Sarney aguardou a primeira esquina para tirar a revanche e foi o primeiro líder nacional a apoiar explicitamente o impeachment do já presidente Collor, seu algoz. Mas isso é coisa do passado. Hoje, Lula e Collor viajam juntos e tramam juntos em palácio para salvar José Sarney no cargo de presidente do Senado. Quem se odiava agora se ama. Inimigos viraram íntimos amigos. Um trio de ouro. Ou de armas.

Nada, evidentemente, é por acaso. Lula precisa de Collor para aniquilar a CPI da Petrobras, já que a bancada do PT, manipulada e fragilizada pelo Planalto, não está dando para o gasto. E Lula precisa também de Sarney para garantir algum controle sobre o Senado e manter o PMDB fiel, a qualquer custo, à candidatura Dilma em 2010. Sarney agarrou-se a Lula e a Collor por motivos óbvios: de "firmíssimo" (como disse na volta do recesso), ele não tem nada. Fragilíssimo, precisa de Lula como do ar para viver e precisa de Collor para a tropa de choque do plenário contra a oposição (oposição a ele, não apenas ao governo).

E Collor? Ele ressurge vigoroso, com um discurso inflamado, no mesmo estilo "bateu, levou" e aproveitando bem esse trampolim, que é a crise. Crise é o seu ambiente, ele sabe como é. Quanto mais crise, melhor para Collor. É o meio de voltar à luz, ao debate, ao palco nacional. Pelas mãos de Lula e Sarney, quem diria?

Na guerra que o país assiste ao vivo e em cores no plenário do Senado (nos bastidores, nem tudo o que parece é...), temos a tropa de choque de Sarney de um lado, com Collor, Renan Calheiros e Wellington Salgado, aquele neo-político da cabeleira. Do outro, Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos, Cristovam Buarque na ofensiva pela renúncia. No meio, pedindo inutilmente bom senso, Sérgio Guerra. E, como alvo direto dos sarneysistas, Arthur Virgílio, com contas a pagar (ou já pagas, como diz) com Agaciel Maia.

A situação está no seguinte pé: o Senado é uma terra de ninguém, uma terra arrasada, onde nada que se plante dá. O Planalto monitorando a situação, com Lula agora agindo mais do que falando. A oposição, como sempre, mais perdida do que barata tonta.

E, enquanto isso, fica uma pergunta no ar: por que raios Lula se esgoela tanto contra a CPI da Petrobras, se quer tirar dela 80% da rentabilidade do pré-sal? Eu, hein! Fica parecendo que a defesa ferrenha não é exatamente da Petrobras. É do seu governo e da candidatura Dilma. Ou seja: dele mesmo, Lula. O presidente se jogou no centro da fogueira.

PONTO DE VISTA
O descaso com a segurança pública

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

O que existe de novo em reivindicar segurança para os cidadãos? Estejam eles no campo ou na cidade, sejam quais forem as suas condições sociais. A segurança dos cidadãos é um direito constitucional e consta dos Direitos Humanos da ONU. É um bem público, uma responsabilidade à qual os governos, o municipal em primeiro lugar, devem responder com políticas públicas bem planejada. Isto é, políticas com objetivos, doutrina (incluindo o respeito democrático à cidadania e aos direitos humanos), meios materiais, estrutura, recursos humanos e financeiros. Para tanto, os municípios devem estar sujeitas à fiscalização interna e externa. Caso contrário, tenderão ao arbítrio.

Alguém deve dizer que não cabe ao Poder Municipal esse tipo de policiamento, que já seria da responsabilidade de uma polícia estadual. Os tipos de ação policial cabem, sim, inclusive até mesmo a criação da Guarda Municipal, caso seja necessário, que por vezes tem grande capacidade de presença e mobilidade no território municipal. Mas um ator coadjuvante qualificado, capaz de prestar serviços relevantes, merecedor do apoio da comunidade.

A segurança pública está em processo de deterioração na região do Mato Grande, o avanço da violência cada dia maior tem mostrado isso claramente. A população não se conforma com a falta de segurança e, quando pode, busca no âmbito privado o que não lhe é garantido pelos governos. Daí a proliferação da indústria da segurança. De outro lado, a área política está tomando iniciativas que promovem mudanças nos papéis policiais tradicionais. Tramita no Legislativo em Brasília um número elevado de projetos que reconhecem o papel policial das Guardas Municipais. Falta consenso sobre isto, mas juristas de renome advogam uma interpretação constitucional favorável ao papel mais ativo da Guardas Municipais. Pois a expressão "destinadas à proteção de seus (dos municípios) bens, serviços e instalações" (do artigo 144, § 8º da Constituição Federal) não conflitaria com as funções constitucionais da Polícia Militar e da Polícia Civil. A questão seria muito mais de integração e coordenação com estas polícias do que da exclusão da Guarda Municipal do âmbito da segurança pública. Tudo isso tem que ser revisto com a máxima urgência, uma vez que a comunidade pede socorro e não tem a quem recorrer de fato.

PONTO DE VISTA
Lula e o amor pelas biografias

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Hoje vocês leitores da FOLHA DO MATO GRANDE - ON LINE, ficam com o brilhante artigo do jornalista Reinaldo Azevedo, abro espaço para as inteligentes colocações do nobre colega que traz um clara radiografia do presidente  Lula da Silva. Confiram a seguir: "Um dos aspectos nefastos de um governo leniente com a imoralidade, ou que a promove abertamente, é o rebaixamento do debate institucional. Tudo acaba sendo medido por sua régua perturbada. Leiam o que vai abaixo. Volto depois":

No Estadão Online: Em meio a novas denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney, publicadas nesta quarta-feira, 22, no Estado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou o novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que o Ministério Público deve ter responsabilidade e pensar na biografia dos investigados.

“A única coisa que eu peço é que o Ministério Público tenha o direito e a obrigação de agir com o máximo de seriedade, não pensando apenas na biografia de quem está investigando, mas na biografia de quem também está sendo investigado”, afirmou Lula, sem citar nomes ou fatos. E acrescentou: “no Brasil, às vezes, a pessoa é condenada antes, dependendo da carga da manchete da imprensa”.

No discurso de posse do novo procurador, Lula lembrou que o Ministério Público ganhou amplos poderes na Constituição de 1988, mas alertou para o fato de que isso pode mudar, por ação do Congresso Nacional. “Nós sabemos que a mudança nunca será por mais liberdade, mas por mais castramento”, disse Lula, numa referência à proposta de emenda constitucional chamada Lei da Mordaça que responsabiliza os promotores que moverem ações consideradas temerárias.

Comento: Fossem outros os tempos, a fala de Lula poderia até apelar a certo bom senso, não é mesmo? Fico aqui a imaginar o Lula como líder de oposição a pedir ao Ministério Público que tomasse cuidado com a biografia das pessoas. Fico aqui a imaginar este gigante a recomendar ao procurador Luiz Francisco: “Cuidado com a biografia de Eduardo Jorge! Até agora, você não tem prova nenhuma! Só ilação”. Mas que nada! Luiz Francisco acusava, o PT botava a boca no trombone e decretava a pena de morte moral do investigado. E, no entanto, alguma prova contra Eduardo Jorge? Nada!

Mas quem fala não é o líder da oposição. É o presidente da República. O mesmo presidente que já decretou que Sarney está sendo perseguido pela “imprensa” (que voltou a apanhar hoje), a despeito das evidências todas que há contra o senador. Sim, desta feita, HÁ PROVAS. Mas Lula já decretou que o presidente do Senado não é um homem comum.

Que presidente notável este que temos — e pouco me importa se ele tem 40%, 80% ou 160% de popularidade! Para inimigos inocentes, a cadeira elétrica da condenação pública; para aliados enrolados, a absolvição. Para inimigos políticos, nada, nem o benefício da lei. Para os aliados, tudo, menos o peso da lei. Este é Lula.

É por isso que chamo o PT de máquina de sujar e lavar reputações. O critério é um só: ser ou não aliado de Lula. Já divulguei aqui dois vídeos em que ele se refere a Sarney, com dois anos de diferença: no primeiro, caracteriza o senador como um bandido; no segundo, como um herói. O que mudou de um para outro? Lula? Não, ele continuava o mesmo. A biografia de Sarney? Não! Ela continuava a mesma. Só uma coisa era diferente: o senador havia se mudado de mala e cuia para o lulismo.

O lulismo é assim: oferece proteção a quem o procura. A única coisa a fazer é dar um beijo na mão de Lula.

PONTO DE VISTA
Um relatório fatal

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Há pelo menos três décadas a fio que os órgãos e instituições ligados ao meio ambientes alertam sobre a importância da preservação da natureza a fim de que se salve o meio ambiente. Muito tem sido dito sobre o assunto e até dados cientificados já revelaram a urgência dessas medidas em razão da preservação da vida e do futuro do ser humano no planeta terra. Tudo isso de nada adiantou, a devastação dobrou na última década, segundo relatório da ONU.

É como tudo que tem sido dito nessas três últimas décadas não passassem de meras bobagem, haja vista a quase completa inutilidade dada ao tema, principalmente pelos países desenvolvidos. Os problemas do planeta terra só fazem aumentar. A preservação do meio ambiente por mais importante que seja, continua sendo ineficiente para conter a ambição do homem perante o imediatismo de suas ganâncias.

Nesse patamar podemos observar a destruição das dunas do litoral do Rio Grande do Norte. Antes preservadas pela extensa Mata Atlântica que se estendia por todo o nosso Estado chegando até o sul do país. Com a destruição quase completa da bela Mata Atlântica as nossas dunas ficaram desprotegidas, sofrendo assim os efeitos das erosões e catástrofes diversas provocadas pela destruição da floresta que protegeu nosso litoral por milhares de anos.

Efeitos e mudanças profundas no meio ambiente, tais quais os mostrados no filme Norte Americano “O Som do Trovão”, quando por acidente cientistas modificam uma realidade que vem ter efeitos medonhos no futuro. O fim da Mata Atlântica não somente deixou o litoral potiguar e brasileiro mais feio, mas em sua complexidade provocou imensas mudanças no eco-sistema causando os grandes problemas na natureza que vivenciamos hoje em dia.

Continuará o homem alheio a casa aonde vive, deixando que a destruição do meio ambiente, cada vez maior, mude cada vez mais a realidade do meio em que vivemos produzindo um futuro duvidoso para toda a raça humana. É uma pergunta que continua sem resposta. Resta saber se também a raça humana continuará alheia ao grito da natureza que há décadas seguidas das mais diferentes formas emite um grito de S.O.S, sem que o mesmo seja respondido efetivamente. Enquanto florestas são devastadas, dunas são destruídas e aniquiladas, seja pelos efeitos da destruição do meio ambiente ou da ambição do homem, mais incerto e promissor será o planeta que habitamos. Pior ainda para nossos filhos, netos e gerações que se seguem. Num futuro não tão distante, finalmente será verificado que a raça humana, tida por si mesma como civilizada e inteligente, é na verdade a espécie mais burra e ignorante que um dia habitou o planeta terra.

PONTO DE VISTA
Um novo jornalismo se consolida

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Ao visitar o 10º Fórum de Software Livre, em Porto Alegre, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse no último 26/06, que a imprensa tradicional perdeu “poder” para a internet. Segundo Lula, com a rede mundial de computadores, não há mais detentores de informação privilegiada. “Estamos vivendo momento revolucionário da humanidade". A exemplo da percepção do presidente estamos de fato assistindo a consolidação de uma nova classe de jornalismo nesta primeira década de milênio. É com ela que o futuro profissional deve estar sintonizado e, conseqüentemente, preparado. Segundo o Professor André Manta da Universidade Federal da Bahia, em palestra realizada em Natal. O desenvolvimento ultra-rápido das tecnologias de comunicação, a expansão das redes de informação e a criação de interfaces amigáveis, que utilizam recursos de multimídia e hipertexto, estão acelerando o processo de digitalização das mídias tradicionais. Hoje, os mais importantes jornais e revistas do mercado editorial mundial estão na Internet.

De qualquer forma o jornal eletrônico se constitui num imenso banco de dados, capaz de armazenar um número ilimitado de informações. Na edição digital, as matérias podem vir complementadas com textos adicionais, gráficos, fotografias que não podem ser inseridas nas edições em papel. O jornal eletrônico permite ainda a apresentação de som e imagens em movimento. Outra grande vantagem do jornal eletrônico, conforme salienta o professor baiano, é a manutenção de arquivos. Pode-se consultar qualquer informação em qualquer tempo.

Num primeiro momento, a erupção brutal da Internet encheu de terror os jornais do mundo inteiro. O jornal escrito não estaria agora sendo descartado e jogado fora pela rede mundial? No princípio, esses jornais eram exclusivos dos Estados Unidos. Mas está havendo uma evolução: há um ano, de todos os jornais eletrônicos, apenas 29% funcionavam fora dos Estados Unidos; hoje, essa proporção é de 43%. Outro número impressionante: em 1997, havia 46 milhões de usuários da Internet. Em fins de 1998, 80 milhões e, no ano 2000, 157 milhões. Em 2008, este número chegou a 1.460 milhões. Quais são as áreas em que a rede faz os maiores progressos? Em primeiro lugar, a das informações locais: isso explica por que os jornais regionais estão criando tantos sites.

Mas as notícias nacionais ou internacionais não estão mais ausentes. Num caso, pelo menos, podemos observar que um grande jornal optou por colocar um informativo seu na rede, antes mesmo de imprimi-lo: foi o jornal Dallas News, que lançou na Internet a notícia do atentado de Oklahoma antes de divulgá-la no noticiário impresso estava prevendo o futuro da nova informação. Essa iniciativa foi recebida com desagrado pelos jornais escritos dos Estados Unidos, preocupados com a idéia de que a informação geral pudesse passar para o lado da Internet. Não houve saída, a internet se transformou na primeira ferramenta de informação global.

 

PONTO DE VISTA
Polícia Federal confirma podridão do Mensalão

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com
   

O que todos já sabiam ou desconfiavam fortemente foi confirmado. O Relatório final da Polícia Federal sobre o escândalo do mensalão confirma que existiu o esquema de desvio de dinheiro público e uso para a compra de apoio político no Congresso. Com 332 páginas, o documento foi produzido por ordem de Joaquim Barbosa, o ministro que relata o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. A PF entregou o relatório a Barbosa no final de fevereiro. O ministro já repassou o documento à Procuradoria Geral da República que vai agora caçar os muitos larápios e aproveitadores da pátria e do uso do poder.

O documento da PF é a mais importante peça produzida pelo governo federal sobre o mensalão. Mais rumoroso escândalo dos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele foi revelado pelo jornal Folha de S. Paulo em 2005. O relatório é um balde de água fria nos políticos e partidos que se esforçam para esvaziar a denúncia feita pela PGR em 2006 e acolhida pelo STF. O próprio ex-presidente Lula havia dito, ao deixar o Planalto, que iria provar que o mensalão "foi uma farsa". O julgamento no STF deve ocorrer no ano que vem. São 38 réus, entre eles o ex-ministro José Dirceu.

O relatório da PF confirma que houve o esquema de corrupção. Diz que agências e outros negócios do publicitário Marcos Valério desviavam verba pública por meio de contratos superfaturados ou fictícios. O dinheiro ia parar na conta de políticos de cinco partidos, num reparte que era organizado pela cúpula do PT.  O dinheiro, segundo confirma a PF, era destinado ao financiamento de campanhas eleitorais ou ao uso pessoal desses políticos. Toda a imprensa do país a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República, o ministro Joaquim Barbosa e o Ministério da Justiça tem de agra em diante um imenso compromisso: não deixar que essa quadrilha escape ilesa.

PONTO DE VISTA
Uma tarefa bastante difícil

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Pouco antes e também durante o primeiro turno das últimas eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva era um tremendo cabo eleitoral, visitou todo o país, esteve em Natal, Recife, João Pessoa e só não foi a Touros (a exemplo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso), porque não havia eleições municipais. Na época tinha uma surpreendente facilidade de transmitir votos para os candidatos que apoiasse.

Passada a primeira fase, Lula virou quase um ermitão, incapaz de transferir sua popularidade para os aliados, embora seu governo ostente 80% de aprovação. A avaliação é sem duvida equivocada. Lula continua a ser um cabo eleitoral importante. Sua influência é menor em pleitos municipais e tende a ser maior na disputa nacional de 2010, ao menos é o que esperam seus fervorosos aliados.

Os temas das eleições municipais são municipais. Saúde, por exemplo, é a preocupação campeã nas pesquisas. Se há um cenário nacional econômico positivo, isso reforça ainda mais a discussão de temas paroquiais, no bom sentido. Gestões bem avaliadas tendem a continuar no poder ou a vitaminar a campanha de sucessores.

Qual a influência desse resultado sobre a sucessão presidencial de 2010? Para Serra, muito bom. Ajuda-o na disputa contra o governador Aécio Neves (MG) pela candidatura tucana ao Palácio do Planalto, apesar de Aécio ainda continuar na disputa. Para Lula, ruim. O resultado é evidência da dificuldade do PT em São Paulo, maior cidade do país, um campo de batalha importante na disputa presidencial.

Na disputa municipal, Lula pode argumentar que será um grande parceiro do candidato do seu partido, mas esse discurso é contraditório com a prática e as próprias palavras do presidente de que não faz discriminação administrativa. Na eleição presidencial, a conversa será outra.

Os oito anos do governo Lula estarão sob julgamento. O presidente deverá se licenciar em parte do período eleitoral para subir no palanque e fazer campanha. Ele estará empenhado em defender a sua obra. O discurso está pronto. Gostou da gestão Lula? Vote em Dilma. Claro que muitos outros fatores terão influência sobre o voto. O eleitorado precisará "comprar" o candidato. Aécio, por exemplo, foi aceito por setores da classe média situados na centro-esquerda do espectro político. Dilma vai encantar?

A situação econômica em 2010 será importante elemento para avaliar as chances da situação. Se Lula manejar bem a atual crise, poderá colher frutos de boa governança que lhe são negados pela oposição. Se o Brasil se afundar ou piorar muito, a oposição terá boa chance de vencer a parada. Portanto Lula terá uma tarefa bastante difícil pela frente.

PONTO DE VISTA
Os males do conhecido caixa 2

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

A existência do "jeitinho brasileiro" na nossa política é fato useiro e viseiro. Seja numa campanha em Touros ou em São Paulo. O financiamento das campanhas eleitorais é o principal dos muitos problemas do nosso sistema político. Ele é a raiz da corrupção política. Algo que começa errado tem enorme chance de terminar errado. O chamado caixa 2 das campanhas fez vítimas em todos os partidos de nossa história recente. Para citar os principais, PT, PSDB, PMDB e DEM conheceram a praga das doações ilegais nos últimos anos. Quem não viu na televisão algum escândalo relacionado ao tema?

Que tal uma reforma política. Se não dá para fazer uma reforma digna desse nome, governo e oposição deveriam unir esforços para mudar a regra de financiamento eleitoral. O financiamento público puro é defendido por muitos e também atacado por muitos. Uma pena muita dura, como perda de mandato para quem for pego recorrendo ao caixa 2, talvez possa ser um caminho. Sera?

Existe a idéia de misturar financiamento público e privado. Este último com limites baixos para pessoas físicas e jurídicas, como contribuir até um teto de R$ 1.000 por candidato. Enfim, há propostas em discussão faz tempo. Os escândalos em série sobre financiamento eleitoral são um sinal de que está passando da hora de mudar a forma como os políticos pagam suas eleições.

Vira e mexe, surge a idéia de uma Constituinte exclusiva para a reforma política. A eleição de legisladores que tivessem de seis a nove meses para elaborar novas regras do jogo político. O ideal seria o Congresso fazer as mudanças dentro de sua rotina. Mas é uma proposta que vale ser debatida. Para evitar contribuições diretas a candidatos, grandes empresas passaram a mascarar essas doações com depósitos para os partidos políticos.

Funciona assim. O candidato tal pede a contribuição. A empresa avisa que vai usar determinado banco para depositar certa quantia na conta do partido em tal data. Aí o fulano vai ao partido e carimba a verba. Diz que a empresa depositou uma bolada que é sua, de mais ninguém. A Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, parece que pegou um monte delas. Sem falar dos grampos que mostram fortes evidências de doações tradicionalmente ilegais, ou seja, o velho e conhecido caixa 2.

PONTO DE VISTA
Um mal humor geral 

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com

Tenho observado há algum tempo um mal estar geral. Seja nas filas das agências bancárias, seja no transito, ou mesmo em lugares antes dados ao bom humor e a descontração como bares e boates. As pessoas andam carrancudas, fechadas, irritadas e com o semblante carregado. Alguns se afobam por qualquer coisa, uma simples ultrapassagem no transito, ou coisa ainda menor.

Esse quadro vem evoluindo bastante nos últimos tempos. O que pensar? Poderia dizer que as pessoas em sua maioria andam irritadas porque, por exemplo, o Brasil perdeu a copa. Mas que copa? Ou quem sabe o flamengo foi rebaixado para a série "B" do campeonato  brasileiro? Isso também não ocorreu, pelo menos até o momento, o que seria um desgosto do tamanho do Brasil. Muitos seriam os argumentos, mas todos em vão. Então aonde estaria a causa de tanto mal humor?

Acredito realmente que este clima de irritação quase geral, e por assim dizer de "meia frustração", na palavra do saudoso ex-governador Cortez Pereira, tem em sua sintomatologia os dias que vivemos. A corrida cada vez mais desenfreada em adquirir bens de consumo, o estilo de vida a cada semana mais alto e a busca incessante pelo ter e mais ter vem criando uma sociedade irritante e irritada. Mas na essência o efeito deveria ser o inverso.

Pensando comumente, poderíamos imaginar que ao acumular coisas as pessoas se dariam por satisfeitas e passariam a a viver em paz e felizes. Não, tal comportamento não é inerente do homem, e certamente nunca será. Então qual a solução para o dilema? Sinceramente não saberia dizer, mas na longa trajetória da história do homem é fato concreto que acumular coisas, criar impérios não é o caminho para a sonhada felicidade. Quem sabe uma vida mais simples, despreocupada com o que os outros acham e menos pretensiosa, não seria um bom começo? Daqui da trincheira só tenho a dizer que mais vale viver e buscar a felicidade a seu modo. O resto a vida se encarrega seguindo seu curso natural.          

PONTO DE VISTA
Barbosa e o teste das ruas

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com  

Lendo a coluna Radar On-Line, assinada magistralmente pelo jornalista Lauro Jardim, não poderia deixar de comentar com os nossos leitores on-line a acertada jornalística de Jardim. De fato o Ministro Joaquim Barbosa aproveitou muito bem a ocasião para colocar em "pratos limpos" a situação de parte do judiciário brasileiro. O velho Brasil que reluta em não se emendar do seu passado tão comprometedor. Parabéns pela coragem e honradez moral do Ministro Joaquim Barbosa. Há muito este país carece de coragem para mostrar "a sua cara". Do outro lado, os seus pares, que tiveram a cara de pau de revelar em rede nacional de televisão que também no judiciário pouco mudou. É o mesmo Brasil das capitanias hereditárias, dos brasões e das elites inatingíveis. Paciência... Confira abaixo o texto curto e objetivo do Lauro, um primor.

"Joaquim Barbosa, que sugeriu a Gilmar Mendes andar pelas ruas, acaba de passar pelo teste que propôs ao desafeto. Barbosa almoçou acompanhado de três amigos no tradicionalíssimo Bar Luiz, um restaurante no Centro do Rio de Janeiro, fundado em 1887.

Tomou dois chopes e comeu um filé bem passado com salada de batatas. Ao final da refeição, de sua mesa até a porta teve que parar em todas mesas por que passou: os comensais levantavam-se estendiam-lhe as mãos e mandavam um "parabéns" ou um "muito bem, ministro".

Em seguida, caminhou pela Rua da Carioca, sempre cumprimentado. Parou para tomar um cafezinho de pé. Mais saudações.

Por volta das 14h50, quando seguiu para entrar no carro oficial na esquina da Avenida Rio Branco, formou-se um pequeno tumulto: várias pessoas o pararam. Novas saudações e sessões de fotos feitas pelos celulares dos admiradores. Por pelo menos cinco minutos, Joaquim Barbosa foi cercado e parabenizado. Agradecia a todos com um sorriso, um aperto de mãos e um "obrigado".

Até que sua segurança abriu caminho e Barbosa pôde entrar no carro oficial."

PONTO DE VISTA
A crise e o capitalismo

Por: Roberto Patriota //
roberto.patriota@hotmail.com  

Repensando Manfred Wernek, o capitalismo é por assim dizer um sistema econômico que evolui em ciclos e neste sentido, crises sistêmicas hão de acontecer ao longo de anos no futuro, é assim desde 1929, e nem por isso o mundo acabou ou o capitalismo ruiu, ao contrário de outros sistemas.

Crises no capitalismo o obriga a se corrigir e com isso o torna mais forte o que lhe confere um caráter evolutivo que nem um outro sistema tem. Estas mesmas crises são oportunidades para outros players não só nos EUA, mas no mundo inteiro (chineses e brasileiros que não me deixam mentir). Portanto o que está acontecendo são reflexos de erros cometidos desde 11/09/2001 e excessos por parte de grandes conglomerados financeiros e especuladores que atual em âmbito global.

A ausência de um posicionamento regulador e fiscalizador por parte de governos (americano e europeus), associando a uma postura incompetente de agências de rating que não foram capazes de prever que isso poderia acontecer acabaram por corroborar com tal situação que felizmente, aconteceu nos EUA e Europa, mercados com relativa credibilidade e com bilhões de dólares a serem gastos para recuperar suas economias. Se tal crise tivesse dado início na China a situação poderia estar muito pior.

Esta crise é a pior deste 1929, mas não creio num novo "crash" aos moldes daquele ano, estamos muito mais preparados hoje que àquela época.

Na verdade o Brasil é sim atingido por tal crise, no entanto num ritmo bem menor do que as crises no passado (apesar da intensidade dessa ser muito maior). Isso ocorre por uma infinidade de razões que em conjunto corroboram para o distanciamento de nossa economia da atual crise, algumas dessas razões são históricas outras mais atuais. Algumas conjunturais outras mercadológicas. Enfim, vamos a alguns exemplos:

Historicamente falando, desde que Itamar Franco montou a equipe econômica responsável pelo que viria ser o Plano Real, o Brasil finalmente entrou num caminho coerente e correto. Com o advento do Plano Real veio a estabilidade e o mais importante o fim da inflação, que significou a maior transferência de renda aos mais pobres, talvez, da história do Brasil (embora ninguém perceba e reconheça isso). Ainda no governo FHC, foram inúmeras as crises que colocaram em xeque a credibilidade do recém criado Plano e que nos afetaram imensamente mais que a atual crise, prova disso foi a empírica necessidade de flexibilização cambial (algo que os argentinos não fizeram e quebraram). O sucesso do Plano Real e a capacidade do país em agir de forma rápida e correta, no tempo certo, conferiu ao Brasil enorme credibilidade internacional. Algo que só poderia ser revertido com o advento do Governo Lula.

No entanto, o atual Governo, prosseguiu com os preceitos do Plano Real e sabiamente manteve como meta fulcral o controle inflacionário. A passagem de governo se fez de forma democrática e sem surpresas o que conferiu ao país um fortalecimento de nossas instituições democráticas e um compromisso efetivo de longo prazo que transcede a figura do governante. Este é um dos pontos mais importantes que uma economia pode almejar: CREDIBILIDADE. Ponto para Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva.

Já no campo histórico recente, temos desde o ano passado uma melhora substancial nos preços das comódites o que levou o Brasil à berlinda. Ou seja a alta nos preços de minério de ferro, petróleo, alimentos (vide a crise de alimentos), carne (vide a crise da gripe aviária e o mal da vaca louca), leite e a cana de açúcar (bicombustíveis e etanol). Tudo isso manteve o Brasil na mídia internacional por quase todo o ano de 2007 e 2008, fazendo com que o mundo visse o Brasil de forma como jamais viu, ou seja, um personagem capaz de influenciar de fato os rumos da economia mundial. A isso tudo somasse as recentes descobertas de petróleo, pesquisas no campo de combustíveis alternativas e o surgimento de gigantes multinacionais brasileiras que passam a atuar com enorme agressividade em âmbito global (destaque para a Embraer, WEG, Vale, Cemig, Petrobrás, etc.). Isso tudo conferiu ao Brasil: FOCO. Algo que até então não tínhamos. Este foco foi fundamental para que atingíssemos o tal sonhado "investment grade".

Existe ainda uma questão conjuntural na economia brasileira que não permite que nossas instituições bancárias atuem em mercados externos de forma direta. Isso protegeu nossas instituições, pois elas não foram afetadas diretamente com a crise iniciada nos EUA, da forma com que as instituições européias e asiáticas (japonesas principalmente) foram. Em outras palavras, nenhuma instituição com sede no Brasil se envolveu de forma direta e indireta com as hipotecas nos EUA. Portanto todo o efeito que nos assola (como a derrapada do iBovespa hoje), é indireto e tem haver com expectativas dos agentes econômicos internacionais no que tange ao redirecionamento em seus investimentos para tentar minimizar os seus prejuízos e não por medo de inadimplência ou por desacordo com os pilares de nossa economia, algo que ocorreu de forma insana e infundada à época do Governo FHC. Neste quesito fica claro que mesmo o Brasil é atingido pela referida crise, porem de forma muito mais indireta do que antes.

Por fim a questão mercadológica. Embora com uma população imensamente menor que a Índia e China, nossa população está muito mais apta (e ávida) ao consumo que naqueles países. Ou seja, precisamos muito pouco para fomentar um exercido de consumidores capaz de atrair investimentos produtivos e o mais importante: mudar o foco externo para interno. Mas o que isso quer dizer? Resumidamente, se a queda na demanda lá fora gerar queda em nossas exportações, seriamos capazes de focar a demanda interna com maior rapidez e dinamismo que em mercados emergentes como a China e Índia e/ou mercados em crises como os EUA e a União Européia. Isso por si só explicaria uma série de fatos em nossa economia como por exemplo: a) a vinda de capital produtivo; b) a avidez de grandes empresas e bancos internacionais em atuar no Brasil (vide a postura do Santander, por exemplo); c) o intenso crescimento de setores a muitos anos estagnados como a construção civil, por exemplo; d) o aumento astronômico na venda de carros e bens duráveis; e) o aumento na procura por passagens aéreas e pacotes turísticos internacionais; etc. Somasse a isto o PAC, que injetará nos próximos anos, bilhões de reais na economia, estruturar nossa logística interna provocando um efeito multiplicador positivo, por meio de criação de novos postos de trabalho e aumento na arrecadação de impostos.

Enfim, estes são alguns pontos que explicam o nosso distanciamento da atual crise mundial, que já é considerada a pior deste 1929. Mas mesmo assim não somos imunes a ela.

Há de se ter em mente que os EUA não estão mais sozinhos como a grande locomotiva do mundo (embora muitos ainda relutem em aceitar isso). O fortalecimento da União Européia, a China, a Índia, a forma com que os emergentes (em certas questões lideradas pelo Brasil) agem, o avanço de nações asiáticas, etc., fazem com que o mapa de poder geopolítico se dissipe e se torne mais amplo, aceitando novos personagens que tendem a partir de agora aumentar sua participação no bojo das grandes decisões mundiais e o momento é muito favorável ao Brasil.

No que tange à bolsa, já alertava a mais de um ano que 2008/2009 seria um período de intensa volatilidade o que obrigaria os agentes a mudarem de estratégias para potencializar seus ganhos (atuar no curto ou curtíssimo prazo) ou manter o sangue frio caso decidissem manter suas posições de longo prazo, pois a tendência de alta se manteria. Portanto o que ocorre com a bolsa é totalmente previsível, mas para quem não sabe utilizá-la e se acovarda com quedas acentuadas tendem a agir de forma abrupta realizando vultuosos prejuízos quanto que o correto seria esperar. Para quem não entrou (e tem o perfil) esta pode ser uma ótima oportunidade, mas advirto: a volatilidade continuará por pelo menos mais oito meses e tende a ganhar muito mais quem atua no curto prazo, o que não desqualifica aqueles que atuam com vistas no longo prazo, mas precisam de sangue frio para passar por este período de reajustes e adaptações que ocorrem no mundo e que afetam o Brasil de alguma forma.

 

 


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