opinião

HOME  CADERNO F REGIÃO   ESTADO OPINIÃO IDÉIAS TURISMO O JORNAL ARQUIVO PROJETOS ANÚNCIOS SISTEMA

 


OPINIÃO
Por que foi tão difícil derrubar Kadafi?

Por: James Petra //
professor emérito de Sociologia

Nas últimas semanas a Líbia sofreu o mais brutal ataque imperialista, por ar, por mar e por terra, da sua história moderna. Milhares de bombas e de mísseis, lançados de submarinos, vasos de guerra e aviões de guerra, americanos e europeus, estão destruindo as bases militares líbias, os seus aeroportos, estradas, portos, depósitos petrolíferos, posições de artilharia, tanques, porta-aviões blindados, aviões e concentrações de tropas.

Dezenas de forças especiais da CIA e do SAS têm treinado, aconselhado e apontado alvos para os chamados ‘rebeldes’ líbios empenhados numa guerra civil contra o governo de Kadafi, as suas forças armadas, as milícias populares e os apoiadores civis.

O ‘primeiro presidente negro’ de Washington ganhará a
infâmia da história como o presidente americano
responsável pelo massacre de centenas de líbios negros.

Apesar deste enorme apoio militar e do total controle dos céus e da linha costeira da Líbia pelos seus ‘aliados’ imperialistas, os ‘rebeldes’ ainda não foram capazes de mobilizar o apoio de aldeias e cidades e encontram-se em retirada depois de enfrentarem as tropas governamentais da Líbia e as milícias urbanas, fortemente motivadas.

Uma das desculpas mais idiotas para esta inglória retirada dos rebeldes, apresentada pela ‘coligação’ Cameron-Obama-Sarkozy, e repetida pelos meios de comunicação, é que eles estão ‘menos bem armados’ ( Financial Times, 29/3/11). Obviamente, Obama e companhia não contabilizam o grande número de jatos, as dezenas de vasos de guerra e de submarinos, as centenas de ataques diários e os milhares de bombas lançadas sobre o governo líbio desde o início da intervenção imperialista ocidental.

A intervenção militar direta de 20 países estrangeiros, grandes e pequenos, flagelando o estado soberano da Líbia, assim como o grande número de cúmplices nas Nações Unidas, não contribui com nenhuma vantagem militar para os rebeldes – segundo a própria propaganda diária a favor deles.

Mas o Los Angeles Times (31/Março/2011) descreveu como “… muitos rebeldes em caminhões com metralhadoras deram meia-volta e fugiram… apesar de as suas metralhadoras pesadas e espingardas antiaéreas serem parecidas com qualquer veículo governamental semelhante”. De fato, nenhuma força ‘rebelde’ na história moderna recebeu um apoio militar tão forte de tantas potências na sua confrontação com um regime instituído. Apesar disso, as forças ‘rebeldes’ nas linhas da frente estão em plena retirada, fugindo desordenadamente e profundamente descontentes com os seus generais e ministros ‘rebeldes’ lá atrás em Bengazi.

Entretanto, os líderes ‘rebeldes’, usando elegantes terno e uniformes feitos por medida, respondem à ‘chamada para a batalha’ assistindo a ‘reuniões’ em Londres onde a ‘estratégia de libertação’ consiste no apelo, perante os meios de comunicação, de envio de tropas terrestres imperialistas.

É baixa a moral dos ‘rebeldes’ na linha da frente. Segundo relatos críveis da frente da batalha em Ajdabiya, “Os rebeldes… queixaram-se de que os seus comandantes iniciais desapareceram. Acusam camaradas de fugirem para a relativa segurança de Bengazi… (queixam-se de que) as forças em Bengazi monopolizaram 400 rádios de campo oferecidos e mais 400… telemóveis destinados ao campo de batalha… (sobretudo) os rebeldes dizem que os comandantes raramente visitam o campo de batalha e exercem pouca autoridade porque muitos combatentes não confiam neles”.

As questões decisivas numa guerra civil não são as armas, o treino ou a chefia, embora evidentemente esses fatores sejam importantes: A principal diferença entre a capacidade militar das forças líbias pró-governo e os ‘rebeldes’ líbios apoiados por imperialistas ocidentais e por ‘progressistas’, reside na sua motivação, nos seus valores e nas suas compensações materiais.

A intervenção imperialista ocidental exaltou a consciência nacional do povo líbio, que encara agora a sua confrontação com os ‘rebeldes’ anti-Kadafi como uma luta para defender a sua pátria do poderio estrangeiro aéreo e marítimo e das tropas terrestres fantoches – um poderoso incentivo para qualquer povo ou exército. O oposto também é verdadeiro para os ‘rebeldes’, cujos líderes abdicaram da sua identidade nacional e dependem inteiramente da intervenção militar imperialista para os levar ao poder. Que soldados rasos ‘rebeldes’ vão arriscar a vida, a lutar contra os seus compatriotas, só para colocar o seu país sob o domínio imperialista ou neocolonialista?

Finalmente, as notícias dos jornalistas ocidentais começam a falar das milícias pró-governo das aldeias e cidades que repelem esses ‘rebeldes’ e até relatam como “um autocarro cheio de mulheres (líbias) surgiu repentinamente (de uma aldeia) … e elas começaram a fingir que aplaudiam e apoiavam os rebeldes…” atraindo os rebeldes apoiados pelo ocidente para uma emboscada mortal montada pelos seus maridos e vizinhos pró-governo.

Os ‘rebeldes’, que entram nas aldeias, são considerados invasores, que arrombam portas, fazem explodir casas e prendem e acusam os líderes locais de serem ‘comunistas da quinta coluna’ a favor de Kadafi. A ameaça da ocupação militar ‘rebelde’, a detenção e a violência sobre as autoridades locais e a destruição das relações de família, de clã e da comunidade local, profundamente valorizadas, levaram as milícias líbias e os combatentes locais a atacar os ‘rebeldes’ apoiados pelo ocidente.

Os ‘rebeldes’ são considerados ‘estranhos’ em termos de integração regional e de clã; menosprezando os costumes locais, os ‘rebeldes’ encontram-se pois em território ‘hostil’. Que combatente ‘rebelde’ estará disposto a morrer em defesa de um território hostil? Esses ‘rebeldes’ só podem pedir à força aérea estrangeira que lhes ‘liberte’ a aldeia pró-governo.

Os meios de comunicação ocidentais, incapazes de entender essas compensações materiais por parte das forças pró-governo, atribuem o apoio popular a Kadafi à ‘coerção’ ou ‘cooptação’, agarrando-se à afirmação dos ‘rebeldes’ que ‘toda a gente se opõe secretamente ao regime’.

Há uma outra realidade material, que muito convenientemente é ignorada: A verdade é que o regime de Kadafi tem utilizado a riqueza petrolífera do país para construir uma ampla rede de escolas, hospitais e clínicas públicas . Os líbios têm o rendimento per capita mais alto de África com 14.900 dólares por ano.

Dezenas de milhares de estudantes líbios de baixos rendimentos receberam bolsas para estudar no seu país e no estrangeiro. As infra-estruturas urbanas foram modernizadas, a agricultura é subsidiada e os pequenos produtores e fabricantes recebem crédito do governo. Kadafi promoveu esses programas eficazes, para além de enriquecer a sua própria família/clã.

Por outro lado, os rebeldes líbios e os seus mentores imperialistas prejudicaram toda a economia civil, bombardearam cidades líbias, destruíram redes comerciais, bloquearam a entrega de alimentos subsidiados e assistência aos pobres, provocaram o encerramento das escolas e forçaram centenas de milhares de profissionais, professores, médicos e trabalhadores especializados estrangeiros a fugir.

Os líbios, mesmo que não gostem da prolongada estadia autocrática de Kadafi no cargo, encontram-se agora perante a escolha entre apoiar um estado de bem-estar, evoluído e que funciona, ou uma conquista militar manobrada por estrangeiros. Muito compreensivelmente, muitos deles escolheram ficar do lado do regime.

O fracasso das forças ‘rebeldes’ apoiadas pelos imperialistas, apesar da sua enorme vantagem técnico-militar, deve-se a uma liderança traidora, ao seu papel de ‘colonialistas internos’ que invadem as comunidades locais e, acima de tudo, à destruição insensata de um sistema de bem-estar social que tem beneficiado milhões de líbios desde duas gerações.

A incapacidade de os ‘rebeldes’ avançarem, apesar do apoio maciço do poder imperialista aéreo e marítimo, significa que a ‘coligação’ EUA-França-Inglaterra terá que reforçar a sua intervenção, para além de enviar forças especiais, conselheiros e equipes da CIA. Perante o objetivo declarado de Obama-Clinton quanto à ‘mudança de regime’, não haverá outra hipótese senão introduzir tropas imperialistas, enviar carregamentos em grande escala de caminhões e tanques blindados e aumentar a utilização de munições de urânio empobrecido, profundamente destrutivas.

Sem dúvida que Obama, o rosto mais visível da ‘intervenção armada humanitária’ em África, vai recitar mentiras cada vez maiores e mais grotescas, enquanto os aldeões e os citadinos líbios caem vítimas da sua força destruidora imperialista. O ‘primeiro presidente negro’ de Washington ganhará a infâmia da história como o presidente americano responsável pelo massacre de centenas de líbios negros e da expulsão em massa de milhões de trabalhadores africanos subsaarianos que trabalham para o atual regime.

Sem dúvida, os progressistas e esquerdistas anglo-americanos vão continuar a discutir (em tom ‘civilizado’) os prós e os contras desta ‘intervenção’, seguindo as pisadas dos seus antecessores, os socialistas franceses e os ‘new dealers’ americanos dos anos 30, que debateram nessa época os prós e os contras do apoio à Espanha republicana… enquanto Hitler e Mussolini bombardeavam a república por conta das forças fascistas ‘rebeldes’ do general Franco que empunhava o estandarte falangista da ‘Família, Igreja e Civilização’ – um protótipo para a ‘intervenção humanitária’ de Obama por conta dos seus ‘rebeldes’.

Artigo enviado por e-mail
e, selecionado pela redação

OPINIÃO
Considerações relevantes
sobre o preço da gasolina

Por: Breno Carvalho Roos //
Mestrando em Economia pela UFRN

A questão do preço da gasolina tem sido um dos temas mais noticiados e debatidos ultimamente  em todo o Rio Grande do Norte, em especial devido a indignação dos consumidores que agora pagam R$ 3,00 pelo litro do combustível. Porém, muitas vezes tem se observado na mídia e nas redes sociais análises viesadas e, na maioria das vezes, com pouco conhecimento técnico sobre o tema.

Tem sido comum abrir minha caixa e-mail e observar dezenas de mensagens alertando sobre o problema e sugerindo um boicote aos postos de gasolina como forma de gerar uma suposta guerra de preços entre os distribuidores – o que baixaria o preço do combustível. Essa é uma estratégia totalmente equivocada e tentarei argumentar o porquê. Antes da argumentação é preciso identificar dois problemas distintos e que geralmente são confundidos.

A meu ver estamos diante de duas questões centrais: 1) o preço da gasolina é alto no Brasil se comparado ao de alguns outros países e isso é reflexo de uma política do Governo Federal; 2) o preço da gasolina em Natal tem apresentado patamar superior aos demais estados vizinhos – o que tem irritado os consumidores locais.

Sobre o primeiro ponto vamos levar em consideração que, a despeito das vultosas reservas petrolíferas do Brasil e da tão aclamada autossuficiência, estamos diante de uma situação em que o preço da gasolina é meramente objeto de decisão governamental. Isso porque aproximadamente 50% do valor pago pelo consumidor final é composto por tributos, sejam eles Federais (CIDE, PIS e Cofins), seja Estadual (ICMS). Portanto, a margem de manobra dos agentes privados para mudanças no preço é cortada pela metade, e a própria margem de lucro dos postos é consideravelmente inferior ao peso dos tributos na composição do preço final.

Levando em consideração o segundo ponto – o preço da gasolina em Natal estar acima da média regional – muitas são as indagações dos consumidores natalenses em relação ao valor abusivo do combustível. Se o Rio Grande do Norte é um dos maiores estados produtores de petróleo do país, porque o preço aqui é tão alto? Se o Rio Grande do Norte tem uma refinaria que produz parte da gasolina que consumimos no estado, porque o preço é tão alto? Se em municípios da Paraíba o preço sobe, mas não sobe tanto quanto aqui, podemos afirmar que há um suposto cartel em nossa cidade? Estas são questões delicadas, que exigem algumas reflexões.

Conversando com alguns especialistas da área e consultando alguns trabalhos técnicos pude obter algumas informações relevantes. A principal delas é que temos um sério problema de LOGÍSTICA. Vejamos a questão em detalhes.

A maior parte da gasolina consumida no RN o vem da Refinaria Landulpho Alves, localizada no município de São Francisco do Conde, na Bahia. Isso ocorre porque a produção de gasolina da Refinaria Potiguar Clara Camarão (Guamaré) ainda é pouco expressiva e insuficiente para atender o mercado local. A carga de gasolina oriunda da Bahia é transportada por meio de cabotagem com destino ao terminal de Natal. Porém, o fato relevante é que a gasolina que chega a Natal NÃO segue diretamente para os postos de distribuição da capital, por dois motivos: o produto está puro (sem adição dos 25% de álcool anidro) e nas proximidades do Porto de Natal não há locais seguros e suficientes para o armazenamento do combustível. Diante disso, toda carga de gasolina que chega a Natal segue para a base de Guamaré onde é feita pelas distribuidoras a estocagem do produto, além da adição de álcool anidro e outros aditivos. Em seguida (e finalmente) a gasolina segue para distribuição nos postos de gasolina. O leitor pode ter se espantado, mas é realmente isso que acontece: a gasolina chega da Bahia em Natal, segue para Guamaré e depois volta para a distribuição na capital e nos demais municípios do estado. Toda essa (falta de) logística tende a tornar o produto mais caro devido aos custos de transporte.

Ademais, outros fatores conjunturais e políticos têm contribuído para a alta de preços. O primeiro é a falta de etanol no mercado e a conseqüente subida do seu preço – o que tem levado, inclusive, a Petrobras a importar o produto. Os analistas têm alegado que o preço do açúcar está muito elevado no mercado internacional – o que teria levado os usineiros a deixarem de produzir etanol para concentrar seus esforços no mercado açucareiro, agora mais lucrativo. Em segundo lugar, tem sido divulgado um aumento da alíquota de ICMS de 25% para 27% no Rio Grande do Norte – o que seguramente impacta no preço final da gasolina no estado.

Somado a esses entraves o consumidor ainda se depara com a seguinte situação: pouca opção de escolha. Ora, se na maioria dos postos da capital quando o preço sobe em geral isso ocorre simultaneamente nos postos, de modo que o valor da gasolina atinge praticamente o mesmo patamar, o que fazer? Aceitar o problema e pagar caro mesmo? Tentar seguir a estratégia divulgada na listas de e-mails que percorre a internet?

Vamos considerar a segunda opção: boicotar alguma bandeira de posto de gasolina (Ex.: BR Distribuidora) para forçar uma suposta guerra de preços entre as distribuidoras e, conseqüentemente, tentar baixar o preço – como tem sido divulgado. Com certo grau de segurança afirmo que esta estratégia não tem a capacidade de influenciar o preço do combustível. O motivo é simples: segundo dados da ANP, 99% da gasolina produzida no país vem de refinarias que são próprias da Petrobras ou estão sob controle da estatal brasileira. As duas únicas refinarias privadas respondem por uma capacidade de refino pouco significativa. Portanto, como as distribuidoras podem influenciar o preço de um produto que é revendido e seu fornecimento é realizado por um ÚNICO vendedor?

Outra questão que muitas vezes confunde o consumidor diz respeito aos postos de gasolina. A bandeira utilizada pelo posto não quer dizer que tal empresa foi responsável pela produção do combustível. A responsabilidade das distribuidoras é obter a gasolina pura das refinarias; adicionar álcool anidro e os aditivos (em seus tanques próprios) e colocar o produto à venda. Sendo assim, a estratégia de atacar uma bandeira específica de posto não faz sentido, tendo em vista que todo o combustível tem praticamente a mesma origem – refinarias estatais. Ademais, os postos são estabelecimentos privados inseridos na lógica de mercado: um empresário pode ter mais de um posto com distintas bandeiras – o que, em geral, não é motivo para que ele diferencie seus preços. A questão da suposta existência de cartel deve ser investigada pelos órgãos competentes. A respeito disso, tentei demonstrar que a margem de ação de um posto individual para influenciar o preço final da gasolina é limitada pelas circunstâncias em que opera o mercado.

Volto a dizer: o preço dos combustíveis é objeto de decisão governamental. O governo brasileiro certamente escolheu esse segmento para tributar por se tratar de um produto que tem mercado consumidor garantido e ainda, é de difícil sonegação. Ademais, na linguagem econômica dizemos que a gasolina é um produto de baixa elasticidade-preço. Ou seja, quando o preço aumenta, o consumo pode cair, porém isso ocorre em menor proporção. Dito de outra maneira: em geral, as pessoas não vão deixar de andar de automóvel porque o preço do combustível subiu.

Diante do exposto, é importante que a sociedade esteja esclarecida sobre essas questões para poder reivindicar melhores preços ao agente econômico que tem maior poder no mercado: o próprio governo. Isso necessariamente passa por uma decisão política. Os distribuidores podem até estar operando com margens de lucro acima do normal, porém, como foi dito, essa ação é limitada se compararmos com o poder de mercado do principal agente econômico – que, inclusive, atua em todos os segmentos da cadeia produtiva: exploração, produção, refino e distribuição, além de ter a competência de tributar e, sobretudo, de regular o mercado. Nesse sentido, quem pode fiscalizar o agente regulador? Acredito que somente a sociedade organizada como um todo. E por fim, a dúvida fica no ar: os retornos em termos de bem-estar social estão sendo compatíveis com alta tributação?

Artigo enviado por e-mail
e, selecionado pela redação

OPINIÃO
Uma mulher, várias promessas, o que muda?

Por: Dr. Adriano Benayon //
Economista

Agora uma presidenta. Muda alguma coisa importante no Brasil? Nada. A Sra. Dilma já mostrou a que veio. Fez elevar as taxas de juros e sinaliza mais privatizações. Determina cortes no orçamento federal, para pagar mais juros da dívida pública, cujo “serviço” (juros e amortizações) é privilegiado no Orçamento através de dispositivo inserido, fraudulentamente, na Constituição de 1988. Ela como todos os demais presidentes brasileiros apenas cumprem as regras do capitalismo norte americano, nada mais. Recentemente o ator global Lazaro Ramos falou que o Brasil precisa eleger seu primeiro presidente negro. Negro, branco, amarelo, azul, vermelho, o que importa a cor da pele? Correto seria dizer que nosso país precisa eleger seu primeiro presidente decente, pouco importa a cor. E assim o Brasil e o mundo vai vivendo dessas falsas ilusões. Obama mudou alguma coisa nos EUA? Faz exatamente o que Jorge W Bush fez, invade países, mata inocentes em busca de petróleo, venda de armas e riquezas minerais. Pouco importa quantos vão morrer.

1. Assim, de 1989 a 2010, o País já atirou pelo ralo 6 trilhões de reais (em valores monetários atualizados). Alguém já imaginou o que é isso? São doze zeros antes da vírgula: R$ 6.000.000.000.000,00.

2. Como sempre, difunde-se aos quatro ventos a mentira surrada, de que os juros são mantidos altos e, ainda por cima, aumentados, porque isso faria conter a inflação.

3. Já expliquei, em muitos artigos, por que a elevação dos juros resulta em maior, e não, menor inflação. Além disso, os juros altos agravam os defeitos estruturais da economia. Para mostrar isso mais uma vez, está sendo republicado um artigo que escrevi em 2008.

4. Quando é que se vai deixar de tentar fugir à realidade? Fugir mesmo é impossível, e quem tenta só faz se alienar. Aí vão juntas a alienação política e a alienação mental, característica da demência. Justamente por isso todo o sistema de formação de opinião no Brasil, operado pela grande mídia (TV, jornalões, revistas de todo tipo etc.), funciona, sem parar, a fim de tornar dementes os brasileiros.

5. Desse modo, os concentradores do poder financeiro mundial garantem seus objetivos: fazer do Brasil cada vez mais uma estupenda zona livre de extração de recursos naturais, dependente de tecnologias controladas por empresas estrangeiras. E cada vez mais indefeso, sob todos os aspectos: cultural, econômico, político e militar.

6. Leonel Brizola dizia, à época dos governos militares, que a função destes era segurar a vaca (figuradamente o Brasil), para as empresas multinacionais extraírem o leite dela.

7. Após a grande ilusão das “diretas-já”, o poder econômico concentrador, que tem regido as instituições políticas no Brasil, aperfeiçoou o mecanismo: em vez de controlar a vaca à força, passou a hipnotizá-la, especialmente com a desinformação.

8. Com isso e com a corrupção de atacado, e as eleições movidas a grana, além de pela mídia, a oligarquia imperial pôs a seu serviço os presidentes eleitos “democraticamente”. Collor e FHC superaram os recordes brasileiro e mundial de entrega do patrimônio nacional, fazendo ademais o País pagar – e pagar muitíssimo – para entregá-lo.

09. Os últimos oito anos e o início de 2011 confirmam, mais uma vez, a continuidade do processo de destruição do Brasil e que esse processo é planejado. FHC foi recrutado aí por 1969/1970, com vultosa doação de fundação norte-americana ao “centro de estudos” dele. Lula e o PT surgiram de maquinações durante a “transição” no início dos anos 80, dirigidas por serviços secretos estrangeiros.

10. Ora, o desenvolvimento dos desequilíbrios está assegurado não só pela estrutura econômica, praticamente toda nas mãos de transnacionais, como pela dinâmica da dívida. Aquela estrutura leva inexoravelmente a déficits nas transações correntes com o exterior, cujo financiamento acumulado é a fonte da dívida externa.

11. Quando esta não cresce, é a dívida interna que vai para as nuvens, realimentada pelos juros mais altos do mundo pagos pelos títulos públicos brasileiros, sem qualquer razão que o justifique. Daí resultou a cifra apontada no início deste artigo, superior a 6 trilhões de reais.

12. Outra fonte de atraso para o País decorre do baixíssimo nível quantitativo e qualitativo do investimento público. Fala-se muito do crescimento da economia chinesa, mas poucas vezes lembra-se que o governo chinês investe anualmente o equivalente a quase 20% do PIB, enquanto, no Brasil, o governo federal não investe mais que 1% do PIB.

13. Se o investimento público já tem sido miserável, e isso há mais de trinta anos, que faz o governo que se diz dos trabalhadores? Corta inclusive o já pífio investimento, além de outros gastos. A tesourada noticiada, da ordem de R$ 50 bilhões, seria para “reverter a aceleração da inflação este ano”, segundo os enganadores ministeriais, repetidos pelos jornalões.

14. Radicalizando também a perda qualitativa, os cortes atingem a educação básica, a reestruturação das redes de ensino profissional e as pesquisas em ciência e tecnologia, ademais de unidades especializadas em saúde.

15. Também, como se o Brasil já não estivesse à mercê da IV Frota dos EUA, trafegando à vontade diante de nossas costas, e das bases militares dos EUA disseminadas por toda a América do Sul, a proposta orçamentária retira recursos de programas de defesa, inclusive os de positivo impacto tecnológico para a indústria, como a construção do submarino de propulsão nuclear. Essa construção já teria sido concluída há mais de vinte anos, não fosse a continuidade da política entreguista.

16. O Governo Federal via assessoria de comunicação conseguir incutir na cabeça da população brasileira uma frase de efeito depois de longa campanha televisiva: "Eu sou brasileiro, e não desisto nunca". Desistir de sofrer? de ser explorado? E assim caminha a nação brasileira, inocentemente alienada pela desinformação.

Artigo enviado por e-mail
e, selecionado pela redação

OPINIÃO
De vacas magras e porcos gordos

Por: Paulo Afonso Linhares //
Advogado

As elites brasileiras, atrasadas e perversas como sempre, passaram da conta, no exercício da atividade política; abusaram do poder econômico e político de todas as formas, independentemente da vestimenta ideológica ou política que enverguem. O uso de artifícios e artimanhas para capturar o voto do eleitor incauto, sempre mereceu a aura de sabedoria política, no Brasil, sendo o espécime mais decantado dessa extração o político mineiro. Na verdade, a esperteza política é irmã siamesa da “lei do Gerson” (“É preciso levar vantagem em tudo, certo?”), quintessência da razão cínica na versão tupiniquim. Fazer leis draconianas aos montes, para desrespeitar ou descumprir, tem sido prática corriqueira dos quantos exercem cargos públicos eletivos.

Aliás, já até se incorporou à técnica legislativa brasileira certas imperfeições e obscuridades deixadas pelo legislador nos textos das leis, tudo para dar azo a interpretações canhestras que quase sempre desdizem, ou mesmo anulam, a mens legis, o espírito da lei, a intenção que deveria ter originado a norma. A questão dos tetos remuneratórios dos funcionários públicos é bem ilustrativa disto: A despeito do que prevê o texto constitucional, no art. 40, estabelecendo como a maior remuneração que um servidor público brasileiro pode receber a do ministro do Supremo Tribunal Federal, recente decisão dessa mesma alta corte faz tábula rasa da regra ao afirmar que os valores recebidos por determinados servidores – especialmente alguns de seus ministros aposentados - que excedem ao teto, não seriam suscetíveis de redução, porquanto seriam parcelas protegidas pelo princípio de irredutibilidade de vencimentos. Em suma, mais privilégios para os já tão privilegiados, esses genuínos “queridinhos da República”.

A última traquinagem das elites políticas tupiniquins é a imposição de regras muito rigorosas para coibir abusos do poder econômico ou político nas eleições. As camisetas com nomes de candidatos, bonés, outdoors ou os vistosos “showmícios”, são coisas banidas das campanhas políticas brasileiras. Claro, essas proibições estariam corretíssimas se fossem eficazes para coibir o abuso do poder econômico ou político nas campanhas eleitorais. Nada disto. Resumem-se àquilo classificável como mera “perfumaria”. Por diversas outras formas, o dinheiro continuará a influir nos resultados eleitorais, principalmente aquele saído ilicitamente dos cofres públicos. E todos a esperar uma reforma política que dificilmente virá. E se vier será um monstrengo inútil cuja principal finalidade será manter o status quo: quando será que deputados e senadores farão regras que proíbam diversas práticas clientelísticas e abusivas do poder econômico e político. Não é um absurdo dizer um "nunca!"...

As instituições que deveriam velar pelo cumprimento das regras coibitivas desses abusos – a Justiça e o Ministério Público eleitorais – são carentes de estruturas que os capacite a exercer as competências que a própria Constituição lhes comete. Houvesse no Brasil um tratamento mais rigoroso do Fisco relativamente ao Imposto de Renda, de pessoas físicas e jurídicas, para taxar os verdadeiros (e poucos!) detentores das rendas nacionais, um golpe mortal seria dado nas práticas viciadas de abuso do poder econômico e político nas campanhas eleitorais. Claro, para os fiscais do Leão é bem menos trabalhoso espichar o couro dos assalariados de classe média do que mexer com os detentores de grandes (e na maioria das vezes inexplicáveis) fortunas.

Por essas e outras é que as eleições cada vez menos traduzem oportunidades de mudanças efetivas dos perfis sociais, econômicos e políticos deste país. É a mesmice de sempre, com a manutenção das velhas estruturas de poder, mesmo que representadas por caras e gestos novos, num alargamento do fosse que separa as elites do povo brasileiro. De repente, dá uma saudade aquele verso de Maiakovksi: “Come ananases, mastiga perdizes/ teu dia está próximo, burguês...”

Artigo enviado por e-mail
e, selecionado pela redação

OPINIÃO
Gregory Mayson e o cidadão do futuro

Por: João Carlos Reis //
Formado em Letras

O controle do cidadão através do Estado nunca foi tão eficiente como nos dias atuais. Nem mesmo no auge da Ditadura Militar de 64, o Estado teve tamanho controle do cidadão comum como agora. Através dos seus longos e poderosos tentáculos o Estado chega ao pobre e ingênuo cidadão das mais diversas formas e meios. A banalização da mídia televisiva, entretanto tem sido uma das formas mais eficientes para o sucesso desse controle. É fácil perceber esse quadro decadente de uma sociedade em ruínas. Desde os primórdios da humanidade o “homem” lutou por criar um aparelhamento social que lhe fornecesse uma estrutura familiar confiável. A criação da “família” como instituição universal foi uma das maiores conquistas da humanidade em todos os tempos. Mas não é que uma conquista de milhões de anos vem sendo desmoronada por conta de um trabalho de poucas décadas.

Basta perceber a banalização televisiva através dos mais diversos programas e filmes produzidos para uma massa de inocentes incautos. A mídia televisiva, sobretudo, faz questão de tratar em suas novelas o modelo familiar existente como decadente corrupto e corruptor. A sociedade como sempre vai na onda do considerado politicamente correto sem hesitar. Enfim, para essa sociedade acompanhar a ditadura imposta pelo Estado é o mesmo que ser avançado e moderno, o homem sempre se sentiu atraído pelo moderno. O economista norte americano Gregory Mayson costumava falar ainda nos anos sessenta que o cidadão do futuro será apenas um registro de CNPJ e nada mais. Mayson conseguiu prever o que considerava como um plano torpe do Estado para o enfraquecimento da família e do cidadão. “Enfraquecendo a base familiar o cidadão não terá condições nem forças para reagir”. O economista americano vislumbrou o protótipo do chamado “cidadão do futuro”. Mayson enfatizou que em troca desse controle geral e absoluto sobre as massas, o Estado daria em contrapartida ao mesmo ingênuo cidadão, uma vida “mansa e confortável”.

Essa mansidão descrita pelo economista americano foi traduzida no modo de vida das sociedades modernas. “O homem caminha para o relaxamento completo, tanto da base familiar como social e pessoal. Vejo o cidadão do futuro obeso, acomodado, sem vaidade pessoal, passivo e porque não dizer idiotizado através de programas e séries de TV que vão aos poucos acomodar suas mentes, transformando-os quase todos em pessoas sem conteúdo, vontade própria e conhecimentos”. Não demorou muito é vemos hoje essa realidade descrita por Mayson há exatas seis décadas em plena prática.

Vivemos tempos de inversão de valores, traduzido por uma super valorização do besteirol. Basta assistir apenas cinco minutos de um Big Brother para enxergar essa realidade. O denominado BBB é o que existe de mais inútil e torpe já produzido pela televisão mundial. Engaiolados em uma casa, idiotas sexualmente confusos vivem seus conflitos mesquinhos enquanto outros tantos alienados assistem a tudo isso para que alguns poucos capitalistas do Estado possam faturar milhões sem ter que pensar. Um perfeito plano de idiotização do homem em prol do lucro fácil a todo custo.

Mais importante que qualquer outra coisa nesse mundo, a audiência televisiva movimenta trilhões em beneficio de poucos. Mais vale uma audiência alta televisiva que vai gerar para o Estado trilhões, que a prevenção de catástrofes. Enfim, sem os acidentes e as banalidades humanas o que mais tem as TVs a nos oferecer? Imagino que essa linha de pensamento chegue em um momento tardio, quando o aparelho do Estado já tenha conseguido alcançar seu intento. Quando ainda na década de cinquenta capitalistas americanos perceberam que lucravam muito mais produzindo camisetas e calças Jens que ternos e gravatas a moda mudou em uma década através de mássicas campanhas de TV. Ao abandonar o terno e a gravata o cidadão achou que tinha se tornado mais jovem e moderno. Apenas saiu de um padrão comercial para outro muito mais lucrativo. Ao forjar uma sociedade com valores mesquinhos e inúteis o Estado supervaloriza o “pão nosso de cada dia” financeiro, através das mais diversas instituições capitalistas em detrimento da evolução cultural das sociedades que mais que nunca padece pelo sucesso do aparelho alienante frente ao conhecimento. Acredito que vale ao menos refletir.

Artigo enviado por e-mail
e, selecionado pela redação

  OPINIÃO
Sejam bem vindos a nova Ordem Mundial

Por: Daniel Sender //
Estudante de jornalismo

Há sempre uma nova moda sendo proposta pelos agentes do capitalismo internacional. Já tivemos de tudo. Desde as mais “inocentes”, que servem somente como instrumento para a padronização cultural dos jovens do mundo inteiro, uniformizando-os para a ordem vindoura, àquelas que condicionam ativamente o ser humano para o mesmo propósito. Porém, nos últimos tempos, temos presenciado um aumento gradual na sugestão destes últimos princípios à pessoa comum. É muito simples constatar isto, basta somente observar o surgimento e fortalecimento das redes sociais como o Orkut e, mais recentemente, o Facebook – rede na qual o usuário assina um contrato on-line abdicando de todos os direitos daquilo que posta no site, mesmo que, por qualquer motivo, apague sua conta.

Nestas redes, o usuário abdica voluntariamente de toda sua privacidade. São disponibilizados pelos assinantes seus nomes, sobrenomes, endereços e até mesmo telefones pessoais, mas, principalmente, opiniões pessoais e políticas. Todas estas informações são armazenadas em um imenso banco de dados, contendo os registros de seu autor, que um dia podem ser utilizadas pelos serviços de informação (e perseguição) contra o então ingênuo usuário.

Além disso, as redes sociais favorecem o patrulhamento ideológico do considerado politicamente correto, aplicado aos mesmos moldes daquele da antiga Alemanha comunista, na qual os principais informantes e delatores eram os próprios cidadãos, que denunciavam seus amigos e vizinhos à Stasi (policia secreta), por serem considerados subversivos ao regime marxista.

Outra formula utilizada para o mesmo fim se dá através da inserção de programas televisivos como a Fazenda (Rede Record) e, principalmente, o Big Brother (Rede Globo), que naturalizam o conceito de vigilância 24 horas por dia como sendo algo divertido, e até mesmo necessário para a futura sociedade perfeita. De quebra, os senhores da mídia também ganham com a idiotização do tele-espectador propiciada por estes reality shows. Não é a toa que o famoso âncora da Rede Globo, William Bonner, se referiu a todos nós como sendo um bando de Homer Simpson’s, imbecis ad infinitum.

Realmente, Bonner não podia estar mais certo. Que tipo povo aceita tão passivamente o controle da mídia em todos os aspectos de suas vidas quanto o brasileiro? Basta observar algumas cenas das famosas “novelas das oito” da Rede Globo, partindo do ano atual e retrocedendo até a década de 70 ou 60. Vemos como foi gradual a naturalização do assim chamado “jeitinho brasileiro”, a desconstrução da família e de seus valores e, mais recentemente, do homossexualismo – pautas vitais na agenda globalista. Porém, estes planos sempre foram executados de forma progressiva e cautelosa, com intuito de que o povo não percebesse sua real situação, o que nos levou ao semi-caos no qual nos encontramos hoje.

É certo que toda imbecilização promovida pelos senhores da mídia não é simples coincidência. Afinal, será que a Coca-Cola promove seu logotipo, investindo grande parcela de seus lucros em marketing somente por mero acaso? Será que o domínio desta marca em seu nicho deve-se somente às qualidades nutricionais de seu produto; dentre as quais se destacam a capacidade de, em um gole, aniquilar com toda a proteção dos dentes contra as bactérias e, em casos extremos de consumo, a paralisia muscular intensa?

Tal imbecilização, como exposto antes, é constantemente aplicada à moda juvenil – camada mais suscetível a este processo. Sua mais nova e evidente demonstração está nas assim chamadas, “Pulseiras do Equilíbrio”, recém surgidas no mercado. Tal aparelho promete controlar as funções vitais do corpo deixando ele, como o nome do produto sugere, em “equilíbrio”. Aos ouvidos de uma pessoa atenta, isto logo pareceria ridículo, desde seu próprio conceito – um produto cujo suposto mérito é o de regular e controlar o corpo humano.

Mas, para o Homer Simpson brasiliensis, estar na moda é o mais importante e, mesmo que tal aparato de controle do corpo custe mais de R$100, um quinto de seu microscópico salário mínimo, nenhum investimento pode parecer grande o suficiente se isto o fará padronizado com outros 190 milhões de cabeças não-pensantes.

Pouco importa se tal aparelho funciona ou não. Power Balance, a própria empresa que o produz, admite que não há efeito algum no corpo de quem a utiliza. Aquilo que realmente importa é que, com o sucesso de tal pulseira, fica provado que o ser humano está finalmente preparado para tornar-se gado; cada um com sua própria pulseira de controle pessoal ajustada a seu corpo, adquirida com seus próprios recursos – o que ainda garante um lucro extra para os senhores do mundo. Mas, para estas pessoas controladas não há problema algum nisso, pois sua única e transcendente expectativa é a de estarem integrados, lado a lado de seus congêneres bovinos na vindoura Nova Ordem Mundial.

Artigo enviado por e-mail
e, selecionado pela redação

REFLETIR
Se Deus é a resposta, qual seria a pergunta?

A importância de questionar Deus

A história nos mostra muitos exemplos de fatos trágicos que ocorrem quando se torna algo inquestionável. O exemplo mais célebre é o de Galileu. Galileu foi duramente reprimido porque afirmou que a Terra não era o centro do Universo; ela girava ao redor do Sol, um entre vários outros planetas. Hoje ninguém mais duvida de tal afirmação, porém Galileu pagou caro a sua descoberta. Foi mal compreendido pelos seus contemporâneos, que acreditavam ser uma verdade absoluta o fato da Terra estar no centro do Universo. Galileu estava a frente de seu tempo; foi injustamente reprimido, contudo, todos hoje reconhecem o seu mérito.

Por isso, caro leitor, tome cuidado ao tornar uma afirmação inquestionável: ela pode atrasar o desenvolvimento humano. Por exemplo: crença que a Terra era plana (em formato de pizza) constituiu um verdadeiro entrave na evolução da ciência durante muitos séculos. Logo, evite discriminar a pessoa que acredita em coisas nas quais você não acredita; quem garante que você esteja certo?

O ato de questionar é fundamental. Porque se nós acreditássemos em tudo que nos é falado, não precisaremos procurar novas respostas; o conhecimento estagnará e não se desenvolverá a humanidade. A par desses fatos, o leitor deve sempre se lembrar: "Questionar é evoluir".

A afirmação considerada inquestionável por muitas pessoas é a de que Deus existe. Todavia, porque tantas pessoas crêem Nele? Por vários motivos: tradição passada de pai para filho, crença incondicional na Bíblia, "milagres" que ocorrem no dia-a-dia, a associação da idéia de Deus (ou um ser superior) a tudo que não é compreendido, afirmações da Bíblia e dos religiosos que consideram pecado questionar Deus... Enfim, serão estes motivos suficientes? A resposta desta questão é o objetivo deste texto.

A validade dos argumentos utilizados para "provar" a existência de Deus

A grande maioria da população mundial crê em Deus. E, defendendo seu ponto de vista, apresenta vários argumentos para "comprovar" a existência Dele. Vamos analisá-los e concluir se são válidos para comprovar a existência de Deus:

* "Deus existe porque eu sinto Sua presença em mim". Neste argumento, torna-se evidente que, através dos sentidos, a pessoa percebe a presença de Deus. Todavia, será que tudo que a gente percebe é verdadeiro? Não. Vamos dar exemplos dessa afirmação:

Suponhamos que uma pessoa X não tenha conhecimentos sobre o Sistema Solar, sobre a posição e sobre o movimento da Terra no espaço. Observando o céu, ela "percebe" o Sol se movimentando, enquanto a Terra "permanece parada". Isso é percebido por qualquer um, mas será a realidade? Claro que não: sabemos que a Terra gira em torno do Sol.

Suponhamos então que essa mesma pessoa visse o céu numa noite estrelada. Não sei se o leitor já percebeu, mas parece aos sentidos dessa pessoa (ou qualquer outra) que estamos no centro de uma "bola" de vidro, e que as estrelas estão fixas, nas "bordas" dessa abóbada (os antigos acreditavam que a Terra estava localizada numa espécie de redoma, e que as estrelas se situavam nas extremidades desta). Estará essa percepção correta? Óbvio que é errônea, já que as estrelas não são fixas (estão em movimento constante) e não existe nenhum hemisfério acima de nossas cabeças.

E, como último argumento: a nossa sensação de calor e frio. Nossos sentidos nos sugerem que o calor e o frio são opostos (ou seja, duas faces de uma moeda), como fogo e água. Mas os cientistas já perceberam que o que nós chamamos de "frio" significa pouco calor, variando apenas a agitação térmica das moléculas. Mais uma vez, os sentidos nos enganam.

Estes casos acima nos permitem concluir que não devemos confiar nos nossos sentidos, que eles nos "pregam peças". Então, o argumento que "Deus existe porque sinto Sua presença", logo, não é válido para provar a existência de Deus.

* "Deus existe porque atende às minhas preces e realiza meus desejos". Esse é o argumento mais fácil de se refutar. Ora, se ele existe porque atende às minhas preces, então, se ele não atendesse às minhas preces, ele não existiria? É difícil de acreditar.

Entretanto, vamos supor que eu pedisse a Deus e "Ele" realizasse um pedido meu. Isso, tampouco, consistiria numa prova que Ele existe. Por dois motivos. Primeiro: é de conhecimento de todos que a mente humana possui poderes extraordinários. Há pessoas que conseguem arrastar móveis com o pensamento, ler o pensamento alheio e levitar somente acreditando realmente que são capazes de tal. E a ciência já estuda tais fenômenos, estruturando a parapsicologia.

As pessoas muitas vezes associam algo que não compreendem (como pedir alguma coisa e esta ser concretizada) com a idéia de Deus. É porque não conseguem conviver com a idéia que o homem ainda não possui conhecimentos suficientes para explicar aquele fenômeno. Assim pensava-se antigamente sobre a chuva, a eletricidade, o fogo: eram fenômenos feitos por Deus, simplesmente pela única razão que não compreendiam esses fenômenos e precisavam associá-los a uma inteligência superior e onipresente.

O segundo motivo: é impossível realizar os desejos de todas as pessoas. Se todos quisessem parar de trabalhar, quem iria produzir algo? Quando se obtém um emprego (porque "Deus" quis), você está, literalmente, "tirando" outra pessoa que ocuparia o seu emprego se você não existisse. Quando se diz: "Graças a Deus que o homem que morreu não foi meu filho", deve-se dizer que o mesmo "Deus" que evitou a morte de seu filho, provocou a morte de outro, mostrando que, desse modo, não se comprova a existência de Deus.

Enfim, o argumento "Deus existe porque atende às minhas preces e realiza meus desejos" não pode ser utilizado para comprovar uma suposta existência de Deus.

* "Deus existe porque está escrito na Bíblia". Quanto a isso, nos limitamos a fazer uma pergunta: por que a Bíblia está certa? Como você tem certeza que Deus falou a Moisés e aquela história toda? Pela mesma e perigosa razão pela qual Galileu foi injustamente reprimido: toma-se algo (nesse caso, a Bíblia), como verdade absoluta. Mas muitos fatos afirmados por ela são inadmissíveis para a lógica. Vamos, por exemplo, tomar a afirmação dela que diz que nós todos descendemos de Adão e Eva.

Essa é a teoria da Bíblia: Deus criou um casal que se reproduziu e gerou descendentes, e nós estamos entre eles. Essa teoria contraria diversas leis da lógica. Vamos começar pelas mais fáceis.

Em primeiro lugar, todos nós sabemos que quando dois irmãos ou dois parentes muito próximos procriam, os filhos nascem com alto índice de anomalias e defeitos (como ausência de braços, retardamento e outros). Ora, se os filhos de Adão e Eva eram irmãos entre si, como se reproduziram normalmente? E não responda que foi porque Deus quis porque assim você está admitindo uma verdade absoluta.

Em segundo lugar, a teoria da Bíblia não explica como nasceram os brancos, os negros, os amarelos, os louros, enfim, toda a diversidade de aparências entre as pessoas (a ciência explica pela lei da Evolução Natural de Darwin).

E, em terceiro e último, a teoria que derrubou definitivamente a idéia do casal primeiro: a teoria da Evolução de Darwin (ela continha alguns erros, que hoje foram aperfeiçoados, caracterizando o mutacionismo). Porque essa teoria, em vez de afirmar que é impossível o homem descender de um casal único, ela descobriu que nós descendemos de um antepassado comum aos macacos. E nela se encontra mais um exemplo do mal que é aceitar uma verdade como absoluta: um professor que ensinava essa teoria foi preso (nos Estados Unidos, início do século), porque esta teoria estava errada(?), pois ia contra a Bíblia e a Bíblia não podia estar incorreta. Hoje, qualquer aluno de biologia estuda essa teoria, face às várias provas já demonstrando que ela corresponde à realidade. Vamos estudar os conceitos básicos dessa teoria:

1 - As variações surgem nos indivíduos de uma espécie bruscamente, em conseqüência de alterações do material genético transmitido de pais a filhos através dos gametas. As modificações impressas aos indivíduos nessa condição são também hereditárias e se constituem em mutações.

2 - Se algumas mutações determinam a manifestação de caracteres indesejáveis, outras, entretanto, tornam os indivíduos mais adaptados para as exigências do meio ambiente, fazendo-os mais aptos para vencer na luta pela vida.

3 - Como conseqüência da luta pela vida, resulta um seleção natural dos mais adaptados ou mais aptos e a extinção dos menos aptos.

Assim a ciência consegue explicar, satisfatoriamente, as mudanças que ocorrem nas espécies. Por isso, cada animal é adaptado ao ambiente em que vive. Por isso existem peixes que suportam grandes pressões vivendo em grande profundidade e aves perfeitamente adaptados para o vôo. As sucessivas evoluções tornaram possível as adaptações.

Você pode dizer que os cientistas podem estar enganados; quem sabe eles não estudaram a fundo a questão?

Felizmente, eles estudaram a questão profundamente, encontrando muitas provas que a evolução é real. Vamos ver as principais delas:

Provas anatômicas - O estudo da anatomia comparada revela fatos surpreendentes que falam a favor da evolução. Observe, por exemplo, que a grande maioria dos mamíferos (e não só dos mamíferos, mas também dos demais vertebrados terrestres, como sapos, lagartos, crocodilos, aves) possui membros pendáctilos, isto é, com 5 dedos. Por quê? Não seria de pouco senso considerar esse fato apenas como uma "coincidência"? Se fosse verdade a Teoria da Criação Especial, pela qual Deus teria criado todos os seres a um só tempo, cada um independente do outro, não seria mais compreensível que os animais pudessem variar infinitamente nas suas estruturas, sem qualquer padrão de repetição? A "padronização estrutural" das espécies só tem uma explicação: o parentesco que as une no tempo, através da evolução.

Provas embriológicas - A embriologia comparada também fornece provas que reforçam a teoria da evolução. Já no século passado, Ernst Von Baer chamava a atenção para a semelhança que existe entre embriões de espécies diferentes nos estágios iniciais de desenvolvimento. Por que razão o embrião de um peixe, o de um anfíbio, o de um réptil, o de uma ave e o de um mamífero, incluindo o embrião humano, se assemelham em certo momento de sua formação? Que outra razão justifica essa semelhança senão o verdadeiro parentesco que os liga ao tronco inicial do qual resultaram todos os vertebrados atuais?

Provas bioquímicas - A busca de provas que contribuam para a confirmação da teoria da evolução assume nos dias atuais um caráter cada vez mais profundo e vigoroso. Agora, nos laboratórios das grandes universidades americanas e européias, os cientistas procuram desvendar a semelhança que aproximam seres de espécies muito distantes na complexidade bioquímica de suas células e de seus organismos. Sabe-se que as enzimas são substâncias produzidas pela atividade celular sob controle específico de genes. Ora, a cada dia descobrem-se novas enzimas que estão presentes ao mesmo tempo em organismos muito distantes uns dos outros nos sistemas de classificação dos seres. Várias enzimas digestivas do homem têm sido encontradas nas células de animais inferiores. A tripsina, por exemplo, enzima proteolítica integrante do suco pancreático e da atividade intestinal, está presente em numerosos animais, desde os protozoários até os mamíferos.

O mesmo ocorre com relação aos hormônios. Os hormônios tireiodianos do gado bovino podem ser administrados com absoluta segurança a seres humanos portadores de hipotireiodismo. Entre a hemoglobina humana e a do chipanzé não há nenhuma diferença. Mas, entre a hemoglobina humana e a do gorila, já se observa duas trocas de aminoácidos. A hemoglobina do macaco Rhesus tem 12 aminoácidos trocados em relação à nossa hemoglobina e 43 em relação à do cavalo. Como explicar a variação seqüencial dos padrões moleculares que ditam as normas desta fantástica biologia interna dos organismos se não admitirmos o mecanismo da Evolução como a melhor das justificativas?

Provas cromossômicas - Numerosos cientistas dos grandes laboratórios de pesquisa do mundo têm dedicado seus esforços no sentido de fazer um cariotipagem comparada entre organismos diversos. A comparação entre os cariótipos de espécies diferentes também parece confirmar que há um parentesco entre seres de grupos diversos. Isso é feito pela análise do números de cromossomos nas células de animais e de plantas e por um estudo comparativo entre esses cariótipos. As diversidades de banana bem conhecidas (banana-ouro, banana-prata, banana-maçã, banana-d'água, banana-da-terra) revelam cariótipos de 22, 44, 55, 77 e 88 cromossomos, o que indica que resultam de mutações por euploidias (respectivamente; 2n=22; 4n=44; 5n=55; 7n=77; 8n=88). Já o trigo tem variedades com 14, 28 ou 42 cromossomos, que correspondem a indivíduos haplóides, diplóides e triplóides, respectivamente. Nas plantas, essas mutações cromossômicas são muito comuns e mostram a evolução das espécies.

Gorilas, chimpanzés e orangotangos possuem todos o cariótipo de 2n = 48 cromossomos. O homem possui 2n = 46, o que faz os geneticistas presumirem que tenha havido a fusão de dois pares de cromossomos no cariótipo humano em relação ao dos antropóides. O gibão (macaco asiático) possui um constante cromossômica de 2n = 44. Deduzimos, então, que o gibão, o gorila e o chimpanzé são todos parentes afastados do homem (mas nem tão afastados assim!...). Outro exemplo: o rato tem 42 cromossomos nas suas células diplóides, mas o camundongo só possui 40. Essa diferença de apenas um par não é sugestiva? Enfim, tudo indica que o estudo do cariótipo comparado das espécies pode servir para mostrar o grau de parentesco entre aquelas que se mostram mais vizinhas dentro dos sistemas de classificação dos seres. E isso é suficiente para representar uma palavra a mais no arsenal de provas que confirmam a evolução.

Provas zoogeográficas - Qualquer observador atento pode notar que as faunas do hemisfério norte (América do Norte, Europa e Ásia) são bastante semelhantes entre si, num flagrante contraste com as faunas das terras do hemisfério sul (América do Sul, África e Oceania), que são sensivelmente diferentes umas das outras. No primeiro caso, os cervídeos (rena, alce, veado galheiro, as raposas, os castores, os lobos, etc.), apenas com algumas diversidades regionais, próprias dos grupamentos alopátricos. Já no segundo caso, a fauna da América do Sul (onças, pequenos macacos, tatus, preguiças, tamanduás e uma grande diversidade de aves), a fauna da África (leões, tigres, rinocerontes, zebras, girafas, elefantes, gorilas etc.) e a fauna da Oceania (canguru, quivi, ornitorrinco etc.) revelam profundas diferenças. É interessante questionar a razão desse contraste.

Os geólogos são unânimes em afirmar que todos os continentes da Terra estiveram há muitos milhões de anos atrás fundidos num só, chamado de Pangéia. Há, talvez, 200 milhões de anos, a Pangéia se fragmentou em blocos, originando a Laurásia e a Godwana. Esses dois imensos blocos passaram, lentamente, a deslizar sobre a vasta massa de material incandescente, que fica abaixo da crosta terrestre. A Laurásia, de situação setentrional, originou a América do Norte, a Europa e a Ásia. A Godwana, situada meridionalmente, também se fragmentou, por sua vez, dando origem a América do Sul, a África, a Oceania e a Antártica. Essa conclusão passou a constituir a chamada teoria da derivação continental ou do deslizamento continental.

Pela deriva continental, as terras do hemisfério sul ficaram logo separadas. E, progressivamente, a distância entre ela se tornou cada vez maior. O isolamento das espécies em cada continente foi total. Hoje, são passados 200 milhões de anos desde que o isolamento geográfico se instalou entre aquelas populações. O somatório das mutações e o trabalho da seleção natural fizeram com que as faunas e floras destes continentes se tornassem profundamente diversificadas. As terras do hemisfério norte, a despeito de se afastarem também pelo deslizamento continental, mantiveram ainda contato por muito tempo. Aliás, a Europa nunca se separou da Ásia. O isolamento que se instalou entre os animais foi em decorrência da civilização que muito se desenvolveu entre as florestas européias e asiáticas, separando-as. Por sua vez, a Ásia se manteve ligada à América do Norte por um istmo que a comunicava ao Alasca e que submergiu a cerca de vinte mil anos, dando lugar ao atual estreito de Bhering. Só então houve o total isolamento das faunas da América do Norte e do bloco asiático europeu. Como se vê, as terras do norte estão separadas há, relativamente, pouco tempo. O isolamento entre as suas espécies é recente e, por isso, elas ainda não se diversificaram muito. Mais uma prova que depõe a favor da evolução. Ainda existem mais provas, como as paleontológicas, que atestam a veracidade da evolução. Mas, para não cansar o leitor, achamos melhor não colocá-las.

Contudo, pelas provas aqui apresentadas já se observa que a evolução natural das espécies é a imagem da realidade, portanto é inaceitável a teoria bíblica do surgimento do homem. E, admitindo que a Bíblia não estava certa neste ponto, ninguém pode garantir que Deus existe porque ela o afirma. Logo, o argumento "Deus existe porque está escrito na Bíblia" não prova a existência de Deus.

O interessante é que, mesmo reconhecendo a evolução como um FATO, a maioria dos cientistas americanos acredita em Deus (de acordo com pesquisas, em torno de 86% dos cientistas americanos acreditam em Deus). Porém, a concepção que eles possuem em Deus é diferente daquela concepção de Deus medieval, que criou Adão e Eva: eles acreditam num Deus que criou o Universo. Mas observe, caro leitor, que a concepção de Deus mudou! Se ela muda de acordo com as descobertas da ciência, como podemos admitir Deus como Invariável, Indiscutível, Perpétuo e Constante? Mais algo sugestivo para pensar...

* "Deus existe porque Cristo morreu crucificado por amor a todos nós e a Seu Pai" - Primeiro: como sabemos que Cristo morreu crucificado? Por que a Bíblia fala?

Contudo, vamos supor que existiu Cristo, e ele morreu por acreditar em Deus e por amor à gente. Ora, se eu digo que alguém tem certeza de alguma coisa, é diferente de afirmar que aquela coisa é verdadeira.. Por exemplo, Sócrates defendia conceitos próprios dele, que não eram iguais aos conceitos vigentes naquela época. Por isso, Sócrates foi condenado a morte. Na prisão anterior a sua morte, seus amigos ofereceram várias chances para a fuga dele, porém ele se recusou a fugir, dizendo que assim jamais acreditariam no que ele dizia. Morreu por amor às suas teorias. Isso não significa que as teorias dele estavam certas(aliás, muitos pontos de duas teorias eram errôneos).

Então, podemos concluir que o argumento "Deus existe porque Cristo morreu crucificado por amor a todos nós e a Seu Pai" não é válido.

* "Deus existe porque alguém deve ter criado o Universo". Esse ponto de vista, durante muito tempo, foi considerado como a "prova científica da existência de Deus". Descartes foi o filósofo que mais desenvolveu essa idéia: se tudo tem uma causa, deve existir um causa primeira, que é Deus.

Agora, uma pergunta: QUEM CRIOU DEUS? Ora, se tudo tem uma causa, então Deus deve ter sido criado. Aí você me responderia: "Deus é imaterial, ele é início e fim". Palavras bonitas, é o que são. Ora, você não consegue conceber algo concreto, palpável, sem uma causa, mas consegue conceber algo invisível, imaterial, "pensante" e "inteligente", sem uma causa? Não é interessante?

Colocado em outras palavras: não entendemos como tudo começou, mas não podemos atribuir tudo que não sabemos explicar a um ser superior. Pois se atribuirmos tudo a Deus, não precisaremos procurar respostas, e não foi assim que se descobriram, por exemplo, vacinas, átomos e eletricidade. Foi através do método científico, o único meio de desenvolver a humanidade.

Como foi o começo da crença em Deus no Ocidente

Agora que vimos que os principais argumentos dos crentes em Deus não podem ser válidos, procuraremos uma base para responder a pergunta: Deus existe?

Vamos raciocinar: se alguém for criado livre, sem estabelecer comunicação alguma e nenhuma intervenção cultural do meio; ele acreditará em Deus? A resposta é NÃO. Daí conclui-se que a existência de Deus é questão cultural, transmitida pelo meio. Portanto, para os religiosos, uma pessoa que nasça numa ilha e não acredita em Deus irá para o inferno. Qual o pecado dela? Nascer isolada ou não acreditar em Deus (observe que ambos não são culpa dela)? Estudemos um pouco de história. Ora, se alguém transmite uma informação, é porque é de seu interesse. Não sei se o leitor sabe, mas o Império Romano perseguiu cristãos até o século IV. De repente, o imperador Constantino se "converteu" ao Cristianismo, e a religião Católica passou a ser a oficial de Roma. Por quê essa conversão tão rápida? Um "milagre"? Claro que não.

Ao espalhar a existência de Deus, o Imperador obtinha várias vantagens. Vamos enumerar as principais delas:

- Fim do medo da morte, conseguido através da confiança na existência de um "paraíso" após a morte, que fazia com que os soldados lutassem por seu Estado com mais coragem;

- Maior auto-confiança, com vantagens relativas ao fim do medo da morte;

- Menor sensação de solidão, amenizando pessoas de fortes depressões;

- Menos violência, pois pessoas "más" não encontram o "paraíso" após sua morte;

- Mais pessoas confiando no Estado, devido à sua forte ligação com a Igreja;

- Esperança no futuro, sendo as pessoas otimistas o suficiente para ficarem paradas esperando uma "atitude divina" contra as injustiças impostas a si.

- Você sabia que a imagem que temos de Cristo, com aparência nórdica, loiro de olhos azuis, assim como a data do seu nascimento em 25 de dezembro, foi determinado por Helena, mãe do imperador Constantino, que por coincidência aniversariava no mesmo dia 25/12?

- Pela sua forte contribuição ao cristianismo, Helena foi elevada a condição de "Santa Helena" logo após a sua morte. Helena mostrou sempre fervor religioso que se traduziu em grandes obras de beneficência e na construção de basílicas nos lugares santos.

E já que um rei poderia fácil e vantajosamente instaurar uma religião em seu Estado, por que não o faria? Ou melhor, por que as religiões existentes não são derivadas da religião antiga e aproveitadora, a qual vem sendo passada inocentemente por cada geração? Será que não foi por motivos pessoais e econômicos que a crença em Deus começou?

Algumas questões interessantes provocadas pela crença em Deus

O leitor deve questionar: se os crentes em Deus pregam coisas "boas", tais como a caridade, tal pode provocar injustiças? E a resposta á afirmativa! Ora, é de conhecimento de todos que o meio influencia bastante qualquer pessoa. Uma criança que vive na favela, convivendo com roubos, furtos, assaltos, estupros e assassinatos, possui muita probabilidade de que, quando crescer, praticar as mesmas coisas (claro que ela, em essência, pode não ser má, porém o meio influencia o indivíduo neste sentido). Então, vêm os religiosos e dizem: "as pessoas que matam e roubam são más, e arderão nas chamas do inferno". Ora, o leitor há de concordar conosco que tal é uma injustiça! Não seria a religião um meio de perpetuar o estado de miséria existente e discriminar a população que não possui meios de subsistência?

As pessoas que tem fé em Deus são ensinadas que "questionar Deus" ou "desobedecer as ordens Dele" é um pecado grave. Não será tal uma maneira de fazer com que as pessoas acreditem em tudo e que não façam questionamentos "perigosos", induzindo-as a acreditar, por exemplo, no Governo, e que tudo um dia melhorará?

Contudo, vejamos mais questões. Observe que os dois primeiros mandamentos de Deus são claros:

1o - "Amar a Deus sobre todas as coisas."

2o - "Não tomar seu santo nome em vão."

Vamos raciocinar: os dois primeiros mandamentos dizem respeito a Ele, e não a nós! Ele não manda "Amar o próximo sobre todas as coisas" ou "não tomar o nome de ninguém em vão", mas manda nós o amarmos sobre todas as coisas e nunca tomar o seu nome em vão. Ou seja, a imagem de Deus se mostra completamente superior! E por que a imagem de Deus se mostra superior a nós, se ele mandou à Terra seu filho Jesus, que lavou os pés dos apóstolos e morreu por nós como um irmão, sem aparente superioridade? Não seria uma contradição? Mas se Deus é superior a nós, por que a preocupação em nos defender e nos ajudar? Se foi capaz de criar um planeta com vida, por que não cria outros? Seríamos apenas o seu passatempo predileto? Uma espécie de jogo de computador? Ou talvez seus bichinhos de estimação?

Por muito tempo a igreja tem entrado em discussões, e saiu perdendo. Muitas teorias bíblicas estão sendo quebradas por outras, muitas não apenas consideradas aceitáveis, mas também comprovadas cientificamente.Vejamos algumas delas:

-A terra no centro do Universo: a igreja impunha à sociedade que todo o Universo girava em torno da Terra, que por sua vez permanecia parada. Esta teoria fora baseada no simples fato dos astros (a Lua, alguns planetas e as estrelas) vistos por nós apresentarem uma aparente translação ao redor da Terra, como por exemplo o Sol que "nasce" no leste e "morre" no oeste. Por muito tempo a igreja não só deduziu, como afirmou com convicção que tudo isso ocorria porque Deus nos fez no centro do Universo, como criaturas únicas e privilegiadas. Quem ousasse questionar a igreja era considerado pecador. Hoje em dia sabe-se, comprovado cientificamente, que a Terra gira em torno do Sol. O idealizador desta tese fora Galileu, ameaçado de morte por ter sido considerado um pecador pela igreja por ter quebrado a estrutura principal do homem no centro do Universo.

-A criação instantânea da Terra: a igreja impõe ainda hoje que o planeta Terra tenha sido criado de repente. Isso é absurdo. O planeta Terra, comprovado cientificamente pelos cientistas, surgiu junto com o sistema solar, a quatro bilhões e meio de anos, sendo nada menos que o agrupamento de sobras da nebulosa (grande nuvem de gás e poeira a altíssima temperatura) que envolvia o Sol. De início a temperatura era extremamente alta em sua superfície. A água em estado de vapor, encontrada em abundância na atmosfera primitiva por causa da grande atividade dos vulcões, passou para o estado líquido, possibilitando a formação dos oceanos.

-A origem instantânea das plantas e dos animais: a igreja impõe ainda hoje que as plantas e os animais tenham surgido de uma simples "ordem divina", na qual Deus criou primeiramente as plantas e logo após os animais. Mas os cientistas já mostraram que o mais provável foi que a dois bilhões de anos a vida se originou, inicialmente com o aparecimento de moléculas orgânicas muito simples. Na realidade, essas moléculas eram apenas aglomerados de matéria orgânica, formados a partir de combinações de substâncias existentes na atmosfera. Essas combinações foram provocadas pela energia dos raios ultravioletas do Sol e pelas descargas elétricas dos raios durante as tempestades, muito freqüentes nesse período.

As principais moléculas orgânicas formadas nestas condições combinaram-se entre si e deram origem a outras substâncias chamadas proteínas. Muitas moléculas de proteínas foram se juntando e se transformando, dando origem aos coacervados. Depois de muitas modificações e alguns milhões de anos, os coacervados transformaram-se em seres unicelulares. A partir daí, através de adaptações ao meio, mutações e seleções naturais, enfim, através do ciclo evolutivo, tem-se toda a variedade de animais e plantas uni e pluricelulares existentes. Inclusive o homem.

-A origem instantânea do ser humano: a igreja considera que o homem (Adão) tenha sido criado primeiro que a mulher (Eva), sendo o ser humano líder do mundo, o qual foi criado especialmente para ele. O ser humano para a ciência, comprovado cientificamente, fora resultado de uma grande e complexa evolução dos seres vivos, já visto na passagem anterior. O ser humano fora alvo do ciclo evolutivo, possuindo um antepassado em comum com todos os outros animais existentes. O Pliopithecus, primata parecido com o atual gibão (espécie de macaco), é considerado um ancestral em comum do homem, do chimpanzé e do gorila, sendo que ele surgiu a mais de 23 milhões de anos atrás.

O Ramapithecus, um dos primatas primitivos mais parecidos com o homem, é considerado como o mais primitivo dos ancestrais do homem em linha direta, tendo surgido a mais de 14 milhões de anos atrás.

Foi comprovado cientificamente que a Terra gira em torno do Sol e que o Universo não surgiu no mesmo dia em que a Terra. Em um discurso de 1992, o papa João Paulo II afirmava:

"Desde o início da Era do Iluminismo até os nossos dias, o caso Galileu tem sido uma espécie de 'mito' em que a imagem fabricada a partir dos acontecimentos está muito distante da realidade. Nessa perspectiva, o caso Galileu simbolizava a suposta rejeição do progresso científico por parte da Igreja Católica, ou o obscurantismo 'dogmático' em oposição à livre busca da verdade. O erro dos teólogos da época, quando sustentavam a centralidade da Terra, era pensar que nossa compreensão da estrutura do mundo físico fosse de alguma forma imposta pelo sentido literal das Sagradas Escrituras."

O papa afirma que a imagem que nós temos da posição da Igreja naquela época supostamente(?) rejeitava o progresso científico. Quer dizer que ela sempre orientou a livre busca da verdade, mesmo contrariando as Sagradas Escrituras? Impossível de crer.

Não há dúvida, no entanto, de que o fato de a Santa Inquisição levar o idoso e enfermo Galileu para inspecionar os instrumentos de tortura nas masmorras da Igreja não só admite, como requer exatamente essa interpretação: o medo da discussão e do debate. Censurar as visões alternativas e ameaçar os seus proponentes com a tortura revela uma falta de fé na própria doutrina e nos paroquianos que estão sendo ostensivamente protegidos. Por que foram necessárias as ameaças e a prisão domiciliar de Galileu? A verdade não tem meios de se defender quando confrontada com o erro?

Muitos achavam que Copérnico e Galileu não tinham boas intenções e eram corrosivos para a ordem social. Na realidade, qualquer desafio, vindo de qualquer fonte, à verdade literal da Bíblia poderia despertar tais interpretações. Não é difícil compreender que a ciência tivesse começado a deixar as pessoas nervosas. Em vez de criticar aqueles que perpetuam os mitos, o rancor público se dirigia contra os que os desacreditavam. Muitas passagens da Bíblia ainda são aceitas pelas seitas e pelos indivíduos ao pé da letra. Como identificamos as passagens com sentido literário ou sem sentido literário? Caso admitamos a existência de erros nas Escrituras, como pode a Bíblia ser um guia infalível da ética e da moral? Será então que as seitas e os indivíduos podem aceitar como autênticas as partes da Bíblia que lhes agradam e rejeitar as inconvenientes e incômodas?

Mas por que desejaríamos pensar que o Universo foi feito para nós? Por que é tão atraente esta idéia? Por que a alimentamos? A nossa auto-estima é tão precária que precisa de nada menos que um Universo feito sob medida para nós? Não seria muito pouca humildade de nossa parte?

Sobre os poderes da mente

Durante alguns trechos do texto, o leitor pôde observar que nós, autores, acreditamos que a mente possui um poder extraordinário. E é verdade, nós cremos em tal. E a ciência também estuda esses fenômenos. Como estes são muito utilizados para induzir às pessoas a acreditarem numa consciência Superior(velha história: associam algo que não compreendem a Deus) , nós concluímos que deveríamos colocar algumas palavras sobre os Poderes da Mente, para que o leitor tenha acesso a um resumo das informações sobre esses poderes.

As capacidades para sensibilidades psíquicas e mentais intensificadas são muitas vezes amontoadas numa única categoria, "intuição", e a elas referem-se como o sexto sentido.

Discordamos desta categoria pois, na realidade, parece que existem sete sentidos psíquicos, além dos cinco normais (visão, tato, audição, olfato e gustação), e destes se vale o corpo e a mente humana para a percepção. A percepção que ocorre nestes sentidos em geral tem a denominação de "extra- sensorial". Os sete sentidos psíquicos que já foram discriminados (pode ser que existam outros mais, ainda ignorados) são:

1 - Telepatia - habilidade para comunicação com outra mente, sem o uso de quaisquer dos cinco sentidos básicos.

2 - Precognição ou captação de futuro - habilidade para perceber informações no futuro.

3 - Retrocognização ou captação de passado - habilidade para perceber acontecimentos e informações anteriores no tempo

4 - Clarividência - habilidade para perceber acontecimentos e informações distantes diretamente, sem a mediação de nenhuma outra mente ou artigo.

5 - Empatia de vibração - habilidade para desempenhar atividades sensoriais tais como adivinhação, leitura de auras, viagem astral, cura, localização de objetos perdidos.

6 - Psicometria - habilidade para tocar uma coisa qualquer e sentir seu relacionamento com pessoas, com o tempo, etc., inteiramente através do contato com este objeto.

7 - Psicocinese - habilidade para influir na natureza da matéria física sem nenhum contato físico, exclusivamente valendo-se dos poderes mentais.

Gostaríamos de enfatizar nossa crença no sentido de que a concretização de habilidades psíquicas ou extra-sensoriais não é uma coisa necessariamente mágica ou mística. Ao contrário, como se dá com todas as habilidades e potencialidades humanas, estes talentos encontram-se entre os poderes amplamente não utilizados que existem dentro do corpo/mente humano normal, aguardando para serem descobertos.

Acreditamos que a razão pela qual só estamos parcialmente ativos nesta região vital do corpo/mente é o fato de termos desenvolvido determinados modos de perceber, pensar, imaginar, que, embora sejam altamente funcionais, também são propensos a limitar visões e pensamentos mais ampliados. Da mesma forma como seguramente limitamos nosso âmbito de movimentação física à medida que envelhecemos e encouraçamos nossa musculatura, também limitamos nossos poderes mentais escravizando-os dentro de medos, conflitos intelectuais e crenças limitadoras.

Faz mal não acreditar em Deus?

Muitas pessoas afirmam que nós não podemos deixar de acreditar em Deus, porque o homem deve se segurar numa força superior, pois senão se verá muito frágil e não terá consolo nos momentos críticos. Afirmam que quem não acredita em Deus não é feliz. Puras ilusões.

Desde quando acreditar em algo não verdadeiro (assumindo que é possível a inexistência de Deus) faz bem? Não podemos acreditar em algo só porque este nos faz bem. Aliás, é impossível que a crença em algo incorreto possa só nos trazer benefícios. Por exemplo: se pensarmos que todos os homens são "bons" e não existem assaltos, isso nos trará menos medo, mais confiança. Concordamos que tal crença é um benefício. Porém, por outro lado, não tomaremos medidas contra crimes, estes se proliferarão extraordinariamente rápido. Fechar os olhos à realidade nunca será o caminho certo.

Continuando, nós concordamos que o homem deve procurar apoio numa "força superior". Todavia, discordamos que essa força tenha que ser Deus. Devemos procurar a explicação de tudo, pois só assim eliminaremos a fome, a miséria e as doenças do mundo. Foi assim que se descobriram a lâmpada elétrica, o telefone, a cura de doenças, a radioatividade, a circulação, os vírus e as bactérias, os avanços genéticos, entre outras maravilhas.

Quanto mais nós pesquisarmos, menores serão os nossos males. Menor será o número de doenças que nos afligem. Menor será nosso sofrimento. Contudo, caro leitor, o nosso texto não provou que Deus não existe. O propósito principal foi mostrar que é impossível provar a existência Dele: em outras palavras, para a ciência, Deus não tem valor. Apesar de não ser possível provar a existência de Deus, o leitor pode perfeitamente concordar com nosso texto e crer em Deus. É uma escolha pessoal. Assim como nós, os autores, não acreditamos em Deus, cada um possui o livre arbítrio de acreditar ou não Nele. Nós só achamos que, já que não é possível mostrar a existência Dele, não há razão para acreditarmos que Ele exista.

Concordamos que acreditar em Deus faz bem. Há pessoas que param de beber, fumar, roubar, matar, se prostituir somente na fé em Deus. Mas pense bem: a ciência não pode fazer as mesmas coisas, com remédios contra vícios, esclarecimentos e conhecimentos? Enfim, mesmo que o leitor não concorde com este texto, nós também tentamos incutir o leitor o propósito de questionar. Lembre-se: "Questionar é evoluir".

DESTAQUE
Inclusão Digital: realidade ou utopia. Onde está você nesse quadro?

Por: Heldene Santos //
folha.domatogrande@globo.com

Não é preciso passes de magia para perceber que já estamos vivendo a primeira onda de transformações da sociedade. É cada vez mais repetitivo dizer que estamos vivendo a era da informação e da comunicação, lastreada da tecnologia disponível, que elimina as barreiras da distância da língua e da cultura e nos conduz a novos processos de produção, a novas formas de diversão, a um novo modo de viver e pensar, agir e interagir. Mas quanto mais veloz e voraz é o avanço tecnológico, maior é o abismo que separa o mundo tecnologicamente “ligado” do mundo tecnologicamente “desligado”. Enquanto algumas pessoas tem acesso à tecnologia e consequentemente à informação, outras ficam condenadas ao completo e total abandono e isolamento.

A inclusão digital, atualmente, é um assunto muito comentado nos meios de comunicação, no âmbito das organizações da sociedade civil e no cenário político como um todo, fazendo com que ações, projetos e programas sociais sejam elaborados e implantados em diversos países no mundo. Ao longo da história, novas tecnologias têm tido o poder de influenciar o comportamento da sociedade, assim como os telefones, o rádio, a televisão, e agora, a internet.

A nova era que vivemos, a era da globalização, da economia e do conhecimento, possibilita a nós o uso de diversas soluções digitais eficazes que beneficiam muito o nosso dia-a-dia. Porém, milhões de pessoas estão fora desse quadro, são os classificadas como excluídos digital. O Brasil, ainda hoje, convive com uma parcela significativa da população que vive às margens das facilidades e benefícios gerados pela tecnologia. De acordo com dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, 54,3% dos brasileiros nunca fizeram uso de um computador e 66,6% jamais acessaram qualquer informação na internet.

“O acesso às tecnologias da informação significa para muitos, em primeiro lugar, o livre exercício da cidadania. Além disso, encurta distâncias, oferecendo às comunidades que vivem afastadas dos grandes centros, oportunidades que incluem a educação e a comunicação” (palavras de Sergio Rezende, Ministro das Ciências e Tecnologias).

A inclusão digital, como diz o Ministro, basicamente, é a iniciativa de fazer com que a sociedade obtenha conhecimento mínimo para utilizar os recursos da tecnologia da informação e de comunicação, bem como ter e utilizar os recursos físicos, tais como os computadores com acesso à internet.

Muitas iniciativas já foram tomadas, dentre elas, há uma infinidade de entidades não governamentais – ONG’s, universidades e empresas disponibilizando através da internet meios de capacitação profissional e pessoal de forma extremamente viável (para quem tem acesso à internet, é claro) Através de cursos à distância – e-learning – pessoas podem voltar a estudar atualizando-se de forma rápida e barata. O governo tomou a iniciativa de disponibilizar laboratórios de informática nas escolas brasileiras e o acesso à internet com banda larga ou atendida pelo sistema GESAC (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão), como é o caso do Programa de Informática na Educação - ProInfo.

Embora haja essa “porção” de iniciativas, mesmo com a quantidade de computadores nas escolas públicas no Brasil aumentando a cada ano, a inclusão digital ainda não é uma realidade, como é perceptível nas estatísticas que são apresentadas.

Se olharmos para dentro de nossa casa – nosso Estado, nossa região, nosso município – perceberemos facilmente essa realidade. Grande parte da população não consegue utilizar sequer um editor de texto ou acessar um e-mail. E, tendo em vista a importância do papel da educação para o desenvolvimento da sociedade, é difícil esperar dela quando se percebe que, mais de dois terços dos profissionais da educação, como foi mostrado em reportagem da Revista Nova Escola em 2009, se encontram nesta mesma situação.

Resta-nos, como diz Roberto Dias Duarte, pesquisador na área, no seu artigo “Conhecimento e Desenvolvimento”, questionar a atuação da sociedade brasileira como um todo, e a atuação de cada cidadão em relação a esse assunto. Tanto àqueles que fazem as políticas públicas como aqueles que são beneficiários dela. Isto porque a grande concentração de riquezas que caracteriza nossa sociedade tende a acentuar-se, uma vez que a sua geração depende cada vez mais dos dois aspectos abordados anteriormente: informação e formação.

Por outro lado, ainda concordando com Roberto Duarte, é insensato, ineficiente e eficaz, só esperar que o Estado distribua conhecimento como ele faz com cestas básicas. Acredito que a solução para estes problemas deva partir do micro para o macro, ou seja, das pessoas, das famílias e das organizações sociais para a sociedade. Desta forma, cabe a cada organização, cada família e cada pessoa, exigir a implementação correta das políticas públicas, mas também planejar e executar seu programa de desenvolvimento, pessoal e organizacional, considerando não apenas as inovações tecnológicas, mas fundamentalmente os fatores humanos como formação, capacitação e cultura.

DESTAQUE
Aryclenes um exemplo de protagonista social

Por: Heldene Santos //
folha.domatogrande@globo.com

Filho natural de São Miguel do Gostoso, Aryclenes França da Silva, 25 anos, é um exemplo de protagonista social desde a sua adolescência. Com todo ensino fundamental e médio cursado nas escolas do seu município, Ary atualmente encontra-se cursando Informática no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). É um jovem, que mesmo diante dos riscos de vulnerabilidade oferecido pela sociedade, direcionou seu olhar para o desenvolvimento humano, enfrentou as dificuldades da vida e vem se tornando referência como pessoa e como profissional. Nunca se contentou com o estudo apenas oferecido pela escola, sempre buscou mais, fez da leitura a sustentação de seus conhecimentos, desse modo aprendeu a aprender. Após algumas experiências como Agente Jovem, Instrutor de Informática, Articulador de grupos sociais, atualmente exerce a função de Secretário Executivo do Projeto Espaço Tear (Ponto de Cultura/MinC). Ary acaba de se tornar membro do Coletivo de Direitos Humanos, Cultura, Ecologia e Cidadania (http://tearcultura.blogspot.com). Um pequeno passo para a sociedade, mas um passo gigantesco num caminho de raras oportunidades. Em entrevista, ele nos fala sobre suas percepções. Confira e entrevista na íntegra:

1. Quem é Ary?
Aryclenes - Um grande sonhador. Sempre busco contribuir com o desenvolvimento cultural e social de minha comunidade, acho importante ser um parceiro desse processo. Não me acho inteligente nem tão pouco um ser brilhante, mas há algo que tenho em mim que acho uma ferramenta muito poderosa é meu lado sagaz que quando quero realizar algo e de preferência que isso envolva um grande numero de pessoas vou atrás desse objetivo até alcançá-lo.

2. O que motiva o engajamento de Ary com a questão social?
Aryclenes - Em primeiro lugar sou um grande adepto da justiça social. Gosto do dialeto de meus avôs, da simplicidade do agricultor e do pescador, do sorriso das crianças, da conversa com os amigos, do diálogo construtivo sobre minha cidade, da preocupação da população em cuidar do meio ambiente, do futebol no final da tarde na praia. Em fim, sou a favor do que faz e gera o bem, a diversão, satisfação e a dignidade das pessoas. Isso é minha motivação.

3. Como você descreve São Miguel do Gostoso atualmente?
Aryclenes - Minha cidade evoluiu muito no quesito participação popular, inclusive em movimentos e formação de entidades voltadas para o desenvolvimento da cultura, cidadania e dos direitos humanos. O poder público local tem contribuído para isso e olhado com muito carinho para projetos que trabalham com crianças, jovens e adultos, permitindo-lhes cidadania. Temos também instituições, onde destaco o Espaço Tear, onde trabalho, a AMJUS (www.amjus.org.br) e a ASCDEG, as quais colaboram significativamente na construção de uma comunidade mais justa. Um ponto interessante de ambas, é que são formadas justamente por jovens (Risos!).

4. O que você gostaria de mudar na realidade dos jovens de hoje?
Aryclenes - Por que um final de semana sem consumir álcool não faz sentido?(...) Mudaria esses valores. Por que não fazer algo mais saudável? Não é porque tantas propagandas da televisão são sobre bebidas que temos que doar nosso tempo e disposição a algo que sabemos que não é saudável. É preciso vencer as coisas fúteis da vida que não contribui para o nosso desenvolvimento pessoal e social. A vida tem outros valores. Queria que os jovens tivessem consciência dessas coisas. (Risos!) Eu mudaria isso.

5. Como você gostaria de ver Gostoso daqui a 10 anos?
Aryclenes - Com um bom nível de qualificação profissional... O aumento de associações e movimentos em prol da cultura, cidadania e direitos humanos; uma rede de cooperativas para o desenvolvimento sustentável da comunidade. Que o ar continue limpo e as praias sem asfalto. Um sistema de segurança sólido com servidores apostos a agir com justiça e ética. Um centro de saúde com uma estrutura física melhor, funcionários qualificados e prontos para salvar vidas e respeitar os direitos da população.

6. Que mensagem você deixa para os outros jovens?
Aryclenes - Estude sempre, procure fazer um curso superior. Se envolva com projetos e ações que possa contribuir para o enriquecimento e desenvolvimento de sua comunidade. Construa sua identidade voltada para ações sócio-culturais. Dialogue também com seus amigos sobre questões políticas e ambientais. Procure ouvir o que as pessoas pensam. Se meu trabalho servir de exemplo para outros jovens com certeza vou ficar muito feliz. Para finalizar, tenho um entendimento e que é um dever de cada um cuidar de si e do próximo, sem a pretensão de obter algo em troca ou ganho.

7. A gestão social, principalmente ao ser conciliadas com trabalho e estudo, implica em algumas renúncias. Como você encara isso?
Aryclenes - Na verdade é preciso reconhecer o que de fato é mais importante e produtivo. Deixar seu lazer um pouco de lado em algum momento, não significa que será sempre assim. Eu encaro isso muito fácil, e sem desculpas, haverá momentos em sua vida que será preciso se deter ao estudo em primeiro lugar, mas... Minha participação, envolvimento com ações e projetos sociais também é meu lazer. Digamos que você curte dançar, forme então um grupo de dança na sua comunidade, escolha um estilo e convide algumas pessoas que curtem fazer o mesmo. Só acho de grande importância não perder as raízes culturais, procurar criar coisas que leve à promoção dessas culturas e da construção sócio-educacional dos integrantes do projeto. Também acrescento: nunca deixei de ser jovem, de me divertir, de estar com meus amigos... Só precisei organizar meu tempo.

DESTAQUE
O que é justiça social?

Por: Heldene Santos //
folha.domatogrande@globo.com

Após a instituição da Associação de Meio Ambiente, Cultura e Justiça Social, a AMJUS, muitos questionamentos curiosos surgiram em relação ao significado deste último termo. Seria uma organização criada com o intuito de fazer justiça? O que é justiça social?

A AMJUS foi fundada em janeiro de 2009 com sede na cidade de São Miguel do Gostoso. Por eleição, como manifestação do princípio democrático, fui eleito presidente. Alguns minutos antes o nome da Instituição havia sido definido como uma síntese dos seus objetivos: Associação de Meio Ambiente, Cultura e Justiça Social. Mas o que é justiça social?

É importante o entendimento sobre o conceito de justiça social. Não pelo termo está incorporado ao nome de uma instituição e ter despertado a curiosidade de alguns, mas por que é justiça social. Para um melhor entendimento deste conceito faremos uma rápida viagem no tempo. Segundo Luiz Fernando Barzotto, Doutor em Filosofia do Direito da USP, Aristóteles, antigo filósofo grego, é o primeiro a propor uma teoria sistemática da justiça. Para elaborar sua teoria de justiça Aristóteles parte de uma definição de senso comum: “A justiça é a virtude que nos leva (...) a desejar o que é justo”. Esta distinção na linguagem corrente significa tanto o legal como o igual. Tomaz de Aquino dá continuidade à tradição aristotélica, acrescentando-lhes elementos do direito romano. Ele define a justiça nos seguintes termos: “a justiça consiste em dá a cada um o que lhe é devido”.

Para designar a justiça de Aristóteles, Tomaz de Aquino utiliza frequentemente os termos justiça particular e justiça legal, e a distinção entre justiça particular e justiça legal reside no sujeito a quem é devido à justiça. A primeira refere-se a aquilo que é devido a outro individualmente, a segunda, refere-se àquilo que é devido a outro em comum, a comunidade.

Os autores que tiveram como referência Tomaz de Aquino, vêem a necessidade de repensar o conceito de justiça legal, ou geral como foi definido por Aristóteles, para fazer frente às questões de justiça postas por uma sociedade igualitária, numa concepção de que, segundo o jesuíta francês Antoine, devem todos os membros da sociedade civil colaborar na obtenção do bem comum. Assim, define Antoine, a justiça social consiste na “observância de todo direito tendo o bem social comum como objeto e a sociedade civil como sujeito”.

A partir dessa definição de justiça social é que a “sociedade civil” se articula como “sujeito” para também articular estratégias para o “bem da comunidade”, da sociedade de modo geral ou mesmo atendendo especificidades. É claro, não se ignora o dever do Estado com o bem comum, e por isso com a justiça social, pois, como é proposto por Maquiavel no seu livro O Príncipe, o governante deve conquistar o poder e fazer por onde mantê-lo, hoje numa realidade diferente e por um tempo limitado, como é o caso dos mandatos políticos no Brasil, mas deve fazer por onde mantê-lo e para isso, como diz Tomas Hobbes, governar a favor do povo.

Em fim, assim é que se desenvolve e se define o conceito de justiça social e do mesmo modo é que as organizações se situam socialmente para contribuir com a promoção social, o bem estar da sociedade. Nessa perspectiva, é que organizações como a AMJUS, por exemplo, propõe-se a contribuir para a promoção de espaços e oportunidades de direito à participação e a voz, a cultura e ao diálogo em torno da justiça socioambiental. Isto é justiça social.
imagem extraída de: http://blogln.ning.com/profiles/profile/show?id=zaninih

DESTAQUE
Mestre de São Miguel do Gostoso é
contemplado com prêmio do MINC

Por: Heldene Santos //
folha.domatogrande@globo.com

Muito do trabalho de promoção da cultura popular de São Miguel do Gostoso deve-se às atividades do Ponto de Cultura Espaço Tear de Cultura e Cidadania, um projeto do Coletivo de Direitos Humanos, Ecologia, Cultura e Cidadania - CDHEC, coordenado pelo Pe. Fábio dos Santos. A chegada do Pe. Fábio acrescentou muito às riquezas culturais do município, inclusive dando um novo significado à comunidade sobre o que é ser igreja. Instigando a formação de uma igreja que além da utilidade espiritual, tenha utilidade social, cultural e de justiça. E em fim, todo esse trabalho aliado à comunidade rende satisfação.

Na última quarta-feira, 03/02, o Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Identidade e Diversidade Cultural (SID/MinC), publicou a lista dos selecionados no Concurso Público Prêmio Culturas Populares 2009 - Edição Mestra Dona Isabel, no Diário Oficial da União (Seção 3 págs. 10 a 13), Seu Zé Marciano, Mestre do Boi-de-Reis de São Miguel do Gostoso, foi contemplado com o Prêmio Culturas Populares do Ministério da Cultura como reconhecimento nacional por seu trabalho de promoção da cultura popular em nossa comunidade do Gostoso há mais de setenta anos.

Ele conta que quando tinha dez anos pegou uma doença e sua mãe fez uma promessa de que, ficando bom, o filho, tinha que "brincar o Boi" na frente da Igreja. Ele foi curado. Desde então o menino, hoje com quase 81 anos, não parou mais de brincar. Hoje tem o Grupo com os idosos e seu Marciano junto com seu Luiz Pequeno, outro grande mestre, transmitem às novas gerações da cidade o que ele começou um dia. Todas as quartas os dois realizam oficinas com 12 crianças no Ponto de Cultura Tear. O Prêmio consiste num diploma e um cheque de dez mil reais. A comunidade de São Miguel do Gostoso se sente também premiada e muito honrada com este prêmio. Parabéns, Mestre Marciano! E viva a cultura popular!

OPINIÃO
São Miguel do Gostoso na justiça! Por quê?
A Prefeitura de São Miguel do Gostoso conta com alguns processos trabalhistas na justiça encaminhados por servidores. Uma dívida que (existiria?) em torno de R$ 2.000.000,00. Isso pode?

Um caso muito interessante dentro da administração pública dos pequenos municípios nos últimos tempos é a questão dos processos trabalhistas contra as prefeituras. Você que não está por dentro pode está se perguntando: “O que foi que a prefeitura não pagou? Foi uma gratificação? Uma insalubridade? O adicional noturno?” Por incrível que pareça a resposta é: “O FGTS.”

Os funcionários públicos federais, estaduais e de prefeituras de grande porte questionariam imediatamente: “E funcionário público tem FGTS?”. Resposta: “Não. Os funcionários públicos têm a sua estabilidade e garantias trabalhistas, asseguradas através do Regime Jurídico Único dos Servidores.”

Surge então uma nova questão: “Se tais pessoas são funcionários públicos concursados e tem sua estabilidade garantida, diferente de uma pessoa que tem a carteira assinada (CLT), por que estão colocando as prefeituras na justiça?”. Resposta: “Porque um Fulaninho em algum em algum lugar botou a prefeitura na Justiça do Trabalho por causa do FGTS e ganhou uma bolada!”

Nem é preciso continuar a historinha. É previsível o que aconteceu! As pequenas prefeituras foram bombardeadas por processos trabalhistas. Gostoso não foi diferente.

O movimento liderado por um advogado esperto e outras pessoas tão espertas quanto, motivou muitos servidores a entrarem com processos que variavam em torno de 10 mil reais. Não havia jeito mais fácil de ganhar 10 mil reais, prometia o doutor. Era questão ganha. A prefeitura ia fazer papel de besta. Quem não colocou a prefeitura no pau perdeu a mamata.

Somente o município de São Miguel do Gostoso em breve seria condenado a pagar uma divida que não existia no valor de aproximadamente 2 milhões de reais. O que fazer? Outros municipios já estavam sofrendo as conseqüências dessa ação irresponsável. Gostoso com certeza não iria suportar um golpe tão violento. Por causa de alguns poucos , os serviços públicos - e servidores - que atendem hoje mais de 9 mil pessoas no nosso município estaria comprometido durante anos.

Mas no dia 28/08/2009 a Ministra Carmem Lúcia do Supremo Tribunal Federal através da Reclamação Constitucional nº 8.880, fecha o cassino, transferindo para a justiça comum a questão. Ou seja, os municípios poderão agora se defender e ganhar.

Em resumo: fim de jogo!

Os espertinhos que queriam fazer farra com dinheiro público vão ficar chupando o dedo. Quem sabe na próxima...

* Heldene Santos é pedagogo

OPINIÃO
O fantasma da eugenia de volta

Por: Natalia Cuminale //
folha.domatogrande@globo.com

Assim que a ciência deu os primeiros passos para desvendar o sequenciamento genético, surgiu a esperança de que a espécie humana um dia seria "aperfeiçoada". Simultaneamente, apareceu o medo de que o sonho desembocasse em algum tipo de projeto de eugenia nos moldes do alimentado pelos nazistas no século XX, a criação de um padrão de raça como modelo. "Há um certo consenso de que a utilização da fertilização in vitro com fins eugênicos não deve ser feita. Isso seria interferir no futuro da diversidade genética da humanidade", afirmou Carlos Vital Correa Lima, vice-presidente do Conselho Federal de Medicina. "Vamos matar o homem se praticarmos a eugenia: o que nos mantém vivos como espécie é a evolução natural", opina Alexandre Pupo Nogueira, ginecologista e obstetra do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo.

A perspectiva de escolher características físicas e aptidões das pessoas poderia mudar a sociedade que conhecemos. Mas há nuanças nessa questão. "O fantasma da eugenia não é dado pelas técnicas genéticas, mas, sim, pelo uso que vamos fazer delas", afirma Debora Diniz, pesquisadora do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis) e autora do livro Admirável Nova Genética: Bioética e Sociedade. "Imaginar que nós teríamos uma sociedade de pessoas idênticas é uma realidade muito fatalista diante das escolhas que cada um de nós faz." Para defender o ponto de vista, a pesquisadora cita um exemplo que chama a atenção, o de comunidades formadas por surdos que foram à Justiça para brigar pelo direito de escolher um embrião surdo. "Elas desafiaram a idéia de que sempre aderimos às inovações da ciência", afirma Diniz.

Para Luiz Vicente Rizzo, imunologista e superintendente do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, de São Paulo, é pouco provável que, no futuro, a técnica nos leve a formar uma sociedade de seres humanos superdotados. "A ciência vai nos permitir tratar melhor as pessoas, aumentar a expectativa do indivíduo, o que pode resultar em modificações ambientais e comportamentais."

Outro temor é que o "aperfeiçoamento" biotecnológico produza uma espécie de preconceito de ordem genética, pelo qual as pessoas "imperfeitas" ou fora do padrão modelo seriam prejudicadas. Nos Estados Unidos, a discussão e as ações a respeito já começaram. Há cerca de dois anos, a seleção de candidatos a emprego a partir de testes genéticos chamou a atenção do governo americano, que criou uma lei que proíbe empregadores e empresas de seguro de saúde a usar o DNA como critério de escolha na hora da contratação.

Para Diniz, a dúvida é se o preconceito já existente poderá se agravar ainda mais. "As pessoas com deficiência já sofrem discriminação. Nós vivemos em um mundo com grau de perfeição, com ou sem genética."

Considerando-se a velocidade das inovações genéticas, o papel dos legisladores será cada vez mais importante. "As regras do jogo têm que estar muito claras. O problema é que, enquanto não houver isso, a exceção permite tudo", diz Diniz.

Para Correa Lima, do Conselho Federal de Medicina, a sociedade deverá ditar aos legisladores o que será proibido ou permitido à ciência e aos cientistas. "É preciso haver uma sinergia entre as autoridades, cientistas e sociedades, para que os benefícios da genética venham em prol das futuras gerações", afirma. A opinião do presidente da Comissão de Bioética da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP) vai no mesmo sentido: "Se a sociedade achar que é válido, o direito vai acompanhar isso",

"Algumas pessoas acharão legal aumentar demais o Q.I, outras estarão interessadas em tornar seu filho mais alto, mais atlético, mais bonito. À medida em que ficar mais fácil usar a tecnologia, será menos desafiador fazer esse tipo de coisa. O que as pessoas quiserem fazer, elas vão fazer. E vai ser muito difícil controlar. Estamos realmente a um passo de uma verdadeira revolução, a humanidade do futuro próximo será bem diferente da que conhecemos hoje, inclusive esteticamente". prevê Rui Geraldo Viana.

* Natalia Cuminale é jornalista

OPINIÃO
Como você conseguiu sobreviver?

Por: Caldas Filho //
caldas_filho@yahoo.com.br

Se você teve sua infância durante os anos 60, 70, 80 como sobreviveu? Afinal de contas:

1 – Os carros não tinham cintos de segurança, apoios de cabeça, nem air-bag!!

2 – Íamos soltos no banco de trás fazendo aquela farra! E isso não era perigoso!

3 – As camas de grades e os brinquedos eram multicores e no mínimo pintados com umas tintas “duvidosas“ contendo chumbo ou outro veneno qualquer.

4 – Não havia travas de segurança nas portas dos carros, chaves nos armários de medicamentos, detergentes ou químicos domésticos.

5 – A gente andava de bicicleta para lá e pra cá, sem capacete, joelheiras, caneleiras e cotuveleiras…

6 – Bebíamos água da torneira, de uma mangueira, ou de uma fonte e não águas minerais em garrafas ditas "esterilizadas".

7.- Construíamos aqueles famosos carrinhos de rolimã e aqueles que tinham a sorte de morar perto de uma ladeira, podiam tentar bater records de velocidade e até verificar no meio do caminho que tinham "economizado" a sola dos sapatos, que eram usados como freios…E estavam descalços… Alguns acidentes depois… Todos esses problemas estavam resolvidos!

8 – Íamos brincar na rua, com uma única condição: voltar para casa ao anoitecer!

9-Não havia celulares, e nossos pais não sabiam onde estávamos! Incrível!

10 – Tínhamos aulas só de manhã, e íamos almoçar em casa!

11 – Gessos, dentes partidos, joelhos ralados… Todos tinham razão, menos nós.

12 – Comíamos doces à vontade, pão com manteiga, bebidas com o perigoso açúcar. Não se falava de obesidade – brincávamos sempre na rua e éramos super ativos …

13 – Dividíamos com nossos amigos uma Crush comprada no Bar de Ferreirinha, gole a gole, e nunca ninguém morreu por isso …

14 – Nada de Playstations, Nintendo 64, X boxes, jogos de vídeo, internet por satélite, videocassete, dolby surround, celular com câmera, computador, chats na Internet … Só amigos.

15 – A pé ou de bicicleta, íamos à casa dos nossos amigos, mesmo que morassem a léguas de nossa casa, entrávamos sem bater e íamos brincar.

16 – É verdade! Lá fora, nesse mundo cinzento e sem segurança! Como era possível? Jogávamos futebol na rua, com a trave sinalizada por duas pedras, e mesmo que não fossemos escalados … ninguém ficava frustrado e nem era o FIM.

17 – Na escola havia bons e maus alunos. Uns passavam e outros eram reprovados. Por isso, ninguém precisava de um psicólogo ou psicoterapeuta. Não havia a moda dos superdotados, nem se falava em dislexia, problemas de concentração, hiperatividade. Quem não passava, simplesmente repetia de ano e tentava de novo no ano seguinte!

18 – Tínhamos: liberdade, fracassos, sucessos, deveres e aprendíamos a lidar com cada um deles!

19 – Nas peladas 20 brigas por dia, no outro dia tava tudo legal e mais 20 brigas.

20 – Iamos pro Rio Seridó todos os dias bater pelada, roubar cajarana lá em Zé Lima e bater bronha vendo as moças da sociedade mostrando o rabo na pedra branca.

A verdadeira questão é: como a gente conseguiu sobreviver?

E acima de tudo, como conseguimos desenvolver a nossa personalidade?

Você também é dessa geração?

É uma boa discussão. E alguém respondeu ao tema com muita personalidade:

Caros Roberto e Pituleira,

Essa nossa geração, além do que foi mencionado, fazia outras aventuras, como algumas brincadeiras muito singelas tipo garrafão, mão-no-bolso, corredor polonês, cocorote…

Não teve um de nós que não tenha pegado morcego pendurado na traseira dos caminhões.

Além das bronhas, comia-se as jumentas, cabras, vacas.

Alguns não livravam nem as galinhas.

Outra coisa light era chatear doido, as conseqüências às vezes eram drásticas, mas a ousadia prevalecia.

Brigas? Eram constantes e muita vezes atiçadas pelos adultos só prá ver a arenga e o pau cantar.

Não havia nada mais grave que passar o pé por cima da mãe dos outros, representada por um simples risco no chão.

Na escola se aprontava de tudo, principalmente vandalismo.

Fomos filhos de uma ditadura e os prédios públicos representavam o governo, até mais que seus agentes.

O lema era “acaba que é do governo”.

Inconscientemente lutávamos contra a ditadura ao nosso modo.

As intrigas eram diárias, como rápidas vinham as pazes.

Quando não acontecia, era por puro charme.

Realmente, poucos somos frustrados e improdutivos.

Somos de uma geração que mudou o mundo, mas que alienou seus próprios filhos, individualizando-os.

* José Caldas Filho
Homem maduro que bem viveu os anos 70 e 80

OPINIÃO
Touros do futuro e o futuro de Touros

Por: Edgard Vieira Guerra //
edguerra98@hotmail.com

Recentemente nossa cidade tem sido vista, não por nós, como um horizonte, ou melhor, um paraíso possível de moradia, segurança e sustentabilidade ambiental. É o que parece explicar o grande número de empresários que querem fazer de Touros, seus condomínios residenciais privados. E que este último termo fique bem claro. Definitivamente Touros parece ser o melhor lugar para viver. Mas, viver segundo o lugar Touros, ou viver para fazer de Touros outro lugar?

A verdade é que a explicação para essa procura por Touros não está em Touros. O que temos à nossa frente é apenas um reflexo do que vêm acontecendo com o crescimento desordenado dos grandes centros urbanos. Vale lembrar que esses centros são movimentados por uma quantidade “x” de pessoas e que seu desenvolvimento, seja ele econômico, social ou político, faz parte de uma quantidade “y”. Essa quantidade “y” é a mesma que sente maior insegurança de permanecer no seu lugar devido a disparidades sociais.

É, insegurança, uma boa alternativa para explicar a repentina vontade de se produzir um espaço da segurança, um espaço da paz, um espaço da sustentabilidade ambiental, um espaço privado, longe de qualquer movimentação contrária ao desenvolvimento capitalista. Todos esses espaços não fazem parte do espaço comum a todo ser humano.

Quanto à insegurança, é sabido que ela está em todo lugar. Em Touros há insegurança. Mas a insegurança que se tem hoje em Touros, não é a mesma que se tem em Natal (por exemplo). A sociedade de Natal, ou de outros centros, possuem certo grau de insegurança muito maior ao que se tem em Touros. Durante o dia, em Touros, posso deixar o portão aberto, ainda. Quanto a isso, perguntaria se o que queremos é receber pessoas que vivem uma realidade diferente a de Touros para tornar Touros sua realidade.

A idéia de implantar condomínios residenciais privados aqui, não é pensada para resolver os problemas daqui. Isso é óbvio! E, sim, para resolver o problema de pessoas inseguras, por dominarem um grande número de capital a revelia dos que não podem. Além disso, para investir em áreas produtivas e obter lucros extravagantes. Para refletir sobre isso, utilizo a frase de Josué de Castro no seu livro Geopolítica da Fome: para ele, “A sociedade está dividida em dois grupos: o grupo dos que não comem, e o grupo dos que não dormem com receio da revolta dos que não comem!”. Se for culpa dos que não dormem, termos os que não comem, é uma duvida a pensar.

Está na Câmara de Vereadores, a análise de mais um projeto desse gênero. O projeto da Vila Maria, que se localizará onde hoje é a fazenda Mariazinha em Boa Cica e que um dos seus atrativos é a proximidade com a Lagoa do Boqueirão. Ressalvo, que o projeto não é da Câmara e sim a análise. O projeto conta com a possibilidade de 10 mil moradores, e segundo os projetistas, renderá cerca de 6 mil empregos. Onde conseguiremos tanta gente?

Ficou presente no ar, uma preocupação ambiental com nossa lagoa. Mas quanto a isto, os projetistas atentaram de antemão, ou melhor, só atentaram a isso. E isso foi constatado com a apresentação do EIA/RIMA.

Para entender melhor, EIA/RIMA significa Estudo de Impactos Ambientais / Relatório de Impactos Ambientais. Somente apresentando EIA/RIMA uma atividade que utilizará Recursos Ambientais pode obter o Licenciamento Ambiental. O problema não foi a não apresentação, mas sim uma apresentação que não levou em conta possíveis impactos sociais, já que o homem também faz parte do ambiente. Foi aí que nossos amigos projetistas falharam.

O apresentador do EIA/RIMA era um Geólogo. Não quero desvalorizar aqui a formação do profissional, mas diante da complexidade do tema tratado, está aberta a necessidade de profissionais de outras áreas de conhecimento. A elaboração do EIA/RIMA é complexa porque exige interdisciplinaridade. Sabemos, que um Geólogo pode explicar os impactos nos processos naturais do ambiente, e que faz isso muito bem. Mas aos impactos sociais, cabe a análise dos cientistas sociais como Antropólogos, Geógrafos, Sociólogos, Historiadores e etc, muito embora algum desses não poderem assinar laudos por não se cadastrarem junto ao CREA. Mas essa análise não foi feita, o que se justifica pela ausência de algum desses profissionais. A discussão do Projeto na câmara só se deu em volta de possíveis problemas ambientais. Em nenhum momento alguém pode exibir relatório sobre possíveis impactos sociais. Esses sim são os que estão mais implícitos a acontecer, afinal é um projeto para 10 mil moradores. Lembro que a sede de Touros possui aproximadamente a mesma quantidade. Seria então construir outra sede?

Não quero dizer aqui, que não devemos concordar com projetos que podem levar Touros a se desenvolver economicamente, mas apenas gostaria que pudéssemos refletir sobre alguns fatos que não ficam claros, para que assim possa ser avaliado por nós se é isso que queremos para Touros. Também não posso exibir ainda, um possível relatório dos impactos sociais, mas sei que é necessário e que se pode ser feito.
Pensar no futuro significa idealizar no presente, fazendo memória ao passado, projetos que determinem as ações do futuro. O quero dizer é o mesmo que o dito popular, “colhemos o que plantamos”. Esse é o retrato da contradição humana. Portanto, se agimos hoje fazendo memória a insegurança da atualidade, o que teremos no futuro é mais insegurança.

Então, temos a nossa frente, duas possibilidades: a possibilidade de facilitar a implantação de um condomínio para proteger algumas pessoas da insegurança, e a assim gerar mais insegurança; e a possibilidade de dificultar a implantação do condomínio, fazendo com que seu projeto mude de ideologia, até que possamos enxergar um futuro realmente seguro.
Agora, é só decidir!

O que poderia redigir, nosso estimável Nilson Patriota sobre as maravilhas de Touros, se estivesse dentro de seu condomínio privado onde não pudesse sentir o calor e a tranqüilidade do povo que forma essa cidade?

* Edgard Vieira Guerra
Cidadão Tourense e Licenciando em Geografia pela UFRN


 

 


Sistema Integrado de ComunicaçãoConheça a Folha do Mato Grande

Expediente | Departamento Comercial | Arquivo Vivo | Classificados | Sistema Integrado | Fale Conosco
© Copyright. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização da nossa direção. // Designe Criativa