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MEMÓRIA
Inesquecível Verão, inesquecível Violeta

Violeta PatriotaPor: Maria Antonia Teixeira da Costa

Dezembro desponta em Touros. O cheiro da cal fresca espalha-se no ar, bem como o cheiro dos cajus, dos abacaxis e das mangas. A brisa fresca parece nos perseguir numa sensação de que é preciso comemorar o verão. É preciso ir a praia molhar-se no mar azul.

As saudades são tantas: da adolescência perdida, do aconchego da casa dos meus pais, do peixe fresco na hora do almoço e enfim de uma vida pacata que se vivia em Touros, mas as lembranças continuam palpitando dentro de mim, em especial dos verões e de uma mulher diferente que um dia conheci: Violeta Patriota, Viola.

Eu estava entrando para a adolescência, morava na casa de papai à rua Cel. Antônio Antunes, 23 e Viola passava dias numa casa antes da nossa. Todos os dias ela ia à praia e num desses dias do verão de 1974, convidou-me para ir com ela.

Fiquei surpreendida com o convite, apesar de ser colega de Andréa e Roberto, seus filhos. Com Andréa brincava quase todos os dias. O tempo parece correr depressa, fecho os olhos e vejo o mar batendo na beira da praia, como dizia o poeta: "O mar beijando a areia", e aquela mulher meio cigana, exótica, esbelta, deitada tomando um banho de sol com um chapéu de palha bonito e diferente.

Viola era diferente de todas as mulheres que já havia conhecido. Gostava de vestir umas saias compridas e floridas, blusas esvoaçastes. Era exótica, e em sua simplicidade estava a sua maior beleza. Foi o último verão que a vi. Não sei nada de sua vida, sei que ela era sensível, forte, apaixonada pelo mar, talvez solitária. Eu era criança ainda e não entendia nada da vida, do seu silêncio e do seu sentimento em ter a minha companhia naquele dia de verão.

O ciclo da vida continua, sementes são lançadas, florescem, tornam-se frutos e espalham no ar os adocicados e cítricos cheiros, os diversos odores. É um continuo caminhar, caminhar. Por isso, querida Viola, a vida continua em minha memória e na daqueles que ainda a amam.

*Maria Antônia Teixeira da Costa é professora da
Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN)

  ARQUIVO VIVO PARTE 13 

 

 


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