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MEMÓRIA
Lembrando Nilson Patriota
Por: Woden Madruga

Escritor Nilson PatriotaLá se foi para a última viagem Nilson Patriota, o escritor, o poeta, o jornalista, o cronista. Nilson, também o político (foi deputado estadual), o homem de empresas, plantador de coqueiros e de fantasias nas terras baixas de Touros diante do mar Atlântico. Nilson, o homem cordial. Foi diretor do jornal “A República” e da Rádio Nordeste, também foi secretário de Imprensa do Governo Lavoisier Maia. Sempre exerceu intensa atividade intelectual – mesmo quando enveredou pelo mundo dos negócios – publicando livros (biógrafo do grande poeta Ferreira Itajubá), colaborando nos jornais da província, escrevendo crônicas e contos, crítico mordaz, vivendo com paixão - e ele foi toda a vida um apaixonado - o fazer literário, o fazer artístico da província. Terminou na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, seu secretário nos últimos anos, sucedendo o quase perpétuo secretário Veríssimo de Melo, acumulando com a presidência do Conselho Estadual de Cultura.

A propósito de Veríssimo, assim ele escreveu sobre Nilson Patriota:

"Pessoalmente, Nilson é criatura amável, doce, tranqüila. Fala baixo e não tem medo de alma. O mundo pode desabar hoje, agora, sobre as nossas cabeças e Nilson nem se alterará. Acenderá um cigarro, calmamente, desconversará e dirá que tudo está certo e que o mundo é assim mesmo. No íntimo é um otimista integral.”

Começo dos anos 50, Nilson já estava metido nas querelas literárias da terrinha, fazendo parte da turma que publicava a Revista das Letras, liderado por Geraldo Carvalho, mais Lenine Pinto, José Bezerra Gomes, Newton Navarro, Dorian Gray, Ferdinando Couto, João Batista Pinto, acho que Zila Mamede e Mirian Coeli, Luis Carlos Guimarães e Sanderson Negreiros, bem depois. O poeta Sanderson atiça as lembranças do menino de 13 anos saindo do seminário, tentando redescobrir o mundo cá de fora, numa Natal aonde, em cada esquina havia um poeta e em cada ladeira, uma perdição.

Conta o poeta:

- Meu pai me levara à alfaiataria de Luís Pinto, vizinha ao cinema Rex. Lá se formava um centro de debate contínuo de convergência que a ideologia de esquerda fazia continuadamente vibrante (…) Foi aí, nesse ambiente cívico e lírico, que conheci Nilson Patriota. Como diria Machadinho: foi amizade à primeira vista. Nilson convidou-me, então para visitar sua casa em Petrópolis, bairro dos bem-te-vis, em frente à antiga sede do ABC. Todos os dias, adolescente em busca do acaso, caminhava para aquele casarão que a mão do tempo fez desabar (…) Encontrava Nilson batendo sempre duro, em velha máquina de escrever, como se estivesse deblaterando na batalha das palavras. Nilson, ensaísta, era o “enfant terrible”, sucessor de Antônio Pinto de Medeiros, na arte de enfrentar os moinhos de vento da província, recatada, com estocadas de violência.

Continua Sanderson:

- Naquele casarão, outro grande encontro foi com o seu irmão José. José Patriota. Altíssimo poeta que morreu inédito carregando consigo a vocação de ser bom, bondade compartilhada com a palavra fluindo dos gestos que as mãos transbordavam de poesia (…) Naquela casa de arcadas e mangueiras compactas, conheci e convivi com Woden Madruga, que usava, então, um chapéu tirolês; mais Dorian Gray, Ferdinando Couto, Nagib Aziz, Gilberto Avelino, um poeta andarilho chamado Carlos Gomes – e quem mais? – onde estão todos eles?”

Em novembro de 2006, Nilson Patriota publicava seu último livro, Noturno de Touros. Mandou-me um exemplar, junto com um bilhete:

“Caro Woden,

Procurei-o na Tribuna, mas fui informado de que você não estava. Queria lhe oferecer meu livro Noturno de Touros. Gostaria de saber o que você pensa a respeito do mesmo. Aviso, porém, que não pretendo continuar no vício de publicar poesia. O que faço nesta publicação é somente uma Memória dos meus, daqueles que amei, foram e são importantes em minha vida (…) No livro, algo sagrado relembra a velha casa de arcadas da Afonso Pena. Não sei se isso valerá. Tudo é engano. A realidade é uma aventura, a outra certamente. Abração, Nilson.”

RESUMO BIOGRÁFICO

Conforme descreve a Revista Preá (Jan./Fev. 2005), da Fundação José Augusto, NILSON PATRIOTA é jornalista, comerciante, funcionário público, fazendeiro, político, poeta e escritor. Nasceu na Rua do Capim, em Touros, em 16 de dezembro de 1930.

Jornalista com experiência de 50 anos. Exerceu atividade em jornais como "O Liberal", de Belém do Pará, "A República", "A Ordem" e "Correio do Povo" de Natal. Na "Folha do Mato Grande - Touros - RN. Colaborou na "Folha Mercanti" e Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, no "Jornal do Comércio" de Recife -Pe., na "Tribuna do Norte", de natal, "Diário de Natal", de Natal, e "Diário de Pernambuco, de Recife - Pe. Foi diretor da "Radio Nordeste", de Natal e da Imprensa Ofícia do Rio Gr. do Norte. Também dirigiu o jornal "A República", de Natal-RN. Ocupou desde 1980 a Cad. 08 - Isabel Gondim - da Academia Norte-rio-grandense de Letras e a presidência do Conselho Estadual de Cultura. Fez parte da Ordem Praiera de Touros - RN, da Academia Amazonense de História, da Academia de Letras e Artes do Nordeste, sede em Recife, do Instituto Histórico e Geográfico do RN, da Ordem dos Velhos Jornalista do Brasil e da Ordem dos Escritores do Brasil.

Confira o Blog Cultural de Nilson Patriota: http://nilsonpatriota.zip.net/

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