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RESGATANDO A MEMÓRIA
Neide Penha, uma autêntica tourense
Em sua casa na capital acolhia sobrinhos e afilhados que iam estudar

Por: Luiz Claudio Penha da Silva //
lcpenha@ig.com.br

Neide Penha de Souza nasceu em 01 de março de 1939, filha caçula dos 11 filhos do casal João Penha de Souza (comerciante do ramo de panificação) e Tereza Penha de Souza (dona de casa).

Cursou seus estudos no Colégio Nossa Senhora das Neves, em Natal, onde concluiu o curso técnico em contabilidade. Na juventude entrou para a vida religiosa, passou três anos na Congregação das Filhas do Amor Divino, com experiência na formação de jovens, em cidades como Currais Novos.

Após a saída da Congregação, Neide Penha decidiu-se pelo matrimônio, tendo se casado no dia 20 de dezembro de 1964, na matriz do Bom Jesus dos Navegantes, com o seu primo e também técnico em contabilidade, Sebastião Penha da Silva, com quem teve dois filhos, Heloisa Cláudia e Luiz Cláudio, a quem registrou com parte do nome que tinha quando religiosa, irmã Maria Cláudia.

Em sua residência conservou uma característica do seu pai, João Penha, quando saiu de Touros para residir em Natal. A casa do pai era uma referência para sobrinhos, afilhados, primos que queriam estudar e residir na capital. Assim fez Neide com os sobrinhos do seu marido, com filhos de amigos do casal, com primos que queriam maiores oportunidades na capital potiguar. Levava-os de Touros para estudar e trabalhar, residindo em sua casa.

Uma das histórias mais conhecidas desse período é de um sobrinho do seu esposo Bastinho, que queria ir para Natal e o pai não queria liberar o rapaz. Neide combinou com o jovem para esperá-la na saída da praia de Touros, próximo ao hospital municipal, nas primeiras horas da manhã. E assim foi. Hoje o rapaz é um empresário bem sucedido na capital pernambucana.

Neide sempre teve uma vida ligada à música, desde os tempos em que freqüentava o programa de auditório “Vesperal dos Brotinhos” criado por Genar Vanderley, na rádio Poti ,em Natal. O programa era de responsabilidade do radialista Luis Cordeiro, em que se apresentavam nomes como Zilma e Agnaldo Rayol, Ademilde Fonseca, entre outros.

Em sua residência, nos finais de semana, recebia os amigos para celebrarem a vida ao som de violões (tocados pelos seus sobrinhos Carlos e Marcos Penha) que executavam o cancioneiro nacional, potiguar e tourense, ouvindo a voz plangente de Neide.

Outra presença marcante de Neide, juntamente com Bastinho, era nos restaurantes da praia do meio, onde houvesse uma seresta e onde normalmente era convidada para cantar algumas músicas do cancioneiro, sendo o seu carro chefe a Serenata do Pescador (A Praieira) de Eduardo Medeiros e Otoniel Meneses, modinha que cantava na íntegra as sete estrofes compostas.

Na cidade de Touros, Neide Penha foi referência nas serestas em bares da cidade e na casa de familiares e amigos, cantando canções do poeta José Porto Filho, acompanhada ao violão por nomes como, José Antão, Quinca Dú, José Maria e Naldo. José Porto era amigo pessoal do pai de Neide e padrinho de batismo de sua irmã Graciete Penha.

A segunda edição do livro “Emoções Rimadas” pela fundação tourense que leva o nome do poeta, no ano de 1990, só foi possível graças a um exemplar da primeira edição, de 1941, que estava sob a guarda de uma das irmãs de Neide.

Neide Penha não chegou a conhecer o CD Ivanildo Penha e Convidados, com músicas do cancioneiro tourense, inclusive com composições do seu filho Luiz Cláudio Penha, pois, no período de finalização e lançamento do disco, foi acometida de um acidente vascular cerebral, que a levou a óbito no dia 12 de junho de 2000.

Neide deixou uma composição inédita, chamada Sambatouros e musicada pelo seu filho, que diz em alguns dos seus versos: “...O teu rio Maceió/ tão perene, constante e tão só/Nossas mágoas ele vê afogar/No encontro das águas com o mar/Coqueirais farfalhantes/Que inspiram os poetas distantes/Touros tem tão grandes realezas, terra nobre de grandes riquezas...”.

  ARQUIVO VIVO PARTE 20 

 

 


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